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Reação a tiros18/01/2013 | 19h31

Nunca havia disparado contra bandidos, relata oficial da BM que matou assaltantes em Triunfo

Tenente-coronel aposentado de 63 anos foi abordado durante assalto a mercado na localidade de Ponta Rasa

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Não foi durante os 30 anos na ativa da Brigada Militar (BM) que um tenente-coronel de Porto Alegre trocou tiros com bandidos. Ele viveu essa experiência 15 anos após se aposentar, na última quinta-feira.

O ex-policial de 63 anos, que pediu para não ser identificado, entrou em confronto e matou dois assaltantes em um mercado na erma localidade de Ponta Rasa, a cerca de 50 quilômetros do centro de Triunfo. Trajava apenas bermuda, camisa de botões aberta e tênis — a farda já foi guardada no armário.

Confira a entrevista concedida por telefone a ZH pelo tenente-coronel:

ZH — Como foi a abordagem dos assaltantes?

Tenente-coronel da BM
— Quando passei em frente ao mercado, um dos homens saiu, me abordou e encostou uma arma na altura do rim, pediu para eu ficar quieto e entrar no mercado. Foi então que eu empurrei ele e saquei a pistola com a mão esquerda e efetuei um disparo contra ele. Ele não esperava a reação e correu em direção ao mercado, e eu não vi se o acertei. Ele revidou com um disparo contra mim, mas não acertou.

ZH — Como o senhor decidiu reagir?

Tenente-coronel
— Foi só porque tive calma que eu consegui me desvencilhar, pegar a arma e destravá-la. Se tivesse nervoso, não conseguiria. Nessas horas, o pânico mata. Mas é difícil. É como se fosse um relâmpago, passa muito rápido, não tem muito tempo para pensar.

ZH — Como surgiu o segundo bandido?

Tenente-coronel
— Com os tiros que dei no primeiro homem, aquele que estava rendendo as pessoas (um casal de clientes e a dona do estabelecimento) ouviu o barulho e saiu do mercado atirando — primeiro a esmo e depois na minha direção. Eu revidei para parar com a agressão dele, e um dos tiros o atingiu. Se o cara não tivesse me abordado na rua, eu nem saberia que estava acontecendo um assalto dentro do mercado. Eu fui assaltado também.

ZH— O senhor foi ferido?

Tenente-coronel
— Não, mas passou perto. Acertaram o tiro no chão, mas apenas senti pedaços de pedras que voaram na minha canela.

ZH — Quantos tiros foram disparados pelo senhor?

Tenente-coronel
— Onze tiros. Eu fiquei até sem munição na hora.

ZH — O senhor já tinha entrado em confronto com bandido e matado alguém?

Tenente-coronel
— Não, a minha ficha está limpa. Nunca precisei fazer nada disso, nunca houve necessidade, embora eu já tenha participado de cercos policiais. Foi algo inédito para mim, só tinha lido em crônica policial.

ZH — Apesar de aposentado, o senhor seguia tendo contato com armas?

Tenente-coronel
— Fui instrutor de tiros há mais de 10 anos e sempre pregava isso aí: tem que treinar muito com a arma para ela ser bem manuseada. Justamente porque se trabalha em locais onde, geralmente, existem aglomerações de pessoas. Tem que se ter uma determinada técnica de utilização para bem utilizá-la.

ZH — O senhor se considera um herói?

Tenente-coronel
— Não, não, não. Foi a preservação da vida, não tem nada de herói. Também não foi terrorismo porque fui me defender de um assalto. Tive sorte ao reagir e nada mais.


O ataque

Por volta das 21h, ao caminhar na estrada em frente a sua chácara, que visita semanalmente, o tenente-coronel foi abordado por um homem, portando uma arma de calibre 38, que o coagiu a entrar no pequeno mercado onde estavam sendo feitos reféns, por outro criminoso, a dona do estabelecimento comercial e dois clientes.

Numa reação instintiva, o tenente que atuou em Taquara, Osório, Novo Hamburgo, Guaíba e Montenegro se desvencilhou do homem, sacou a própria arma, uma pistola calibre 40, e atirou contra o bandido, que revidou. Ao ouvir o barulho, o outro assaltante saiu do mercado e começou a disparar. Houve nova troca de tiros.

Devido à pouca iluminação e à falta dos óculos, que estavam guardados no bolso da bermuda, o tenente-coronel não percebeu que havia matado os dois homens, apenas notou que os dois fugiram baleados. A dupla foi encontrada morta, mais tarde, nas proximidades por agentes da BM que atenderam à ocorrência.

Até o final da tarde desta sexta-feira, apenas um dos dois assaltantes havia sido identificado. Segundo o major Marcus Vinicius Souza Dutra, responsável pelo 5º Batalhão de Polícia Militar de Montenegro, Alexandre Aguiar de Oliveira, 24 anos, tem passagens pelo Presídio Central de Porto Alegre e pela Penitenciária Modulada de Osório por homicídio e porte ilegal de arma e estava em liberdade desde julho. A delegacia de Polícia Civil de Triunfo ficará encarregada da investigação para averiguar as circunstâncias do caso.

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