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Novo susto02/01/2013 | 16h43Atualizada em 02/01/2013 | 17h00

Família Casanova revive drama na Serra

Sete pessoas foram feitas refém por bandidos foragidos após assalto a fábrica de joias

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Família Casanova revive drama na Serra Caco Konzen/especial
Família mora na linha Ferri, nas proximidades de Bento Gonçalves Foto: Caco Konzen / especial

Ao soltar fogos de artifício na noite de Ano-Novo, os homens da família Casanova brincavam entre si que estavam avisando os bandidos perdidos no morro onde eles poderiam encontrar guarida. A brincadeira tornou-se uma aterrorizante realidade na madrugada desta quarta-feira.

A mais de 30 quilômetros do centro de Cotiporã, em um refúgio de mato cercado de parreirais à beira do Rio das Antas, sete pessoas foram novamente feitas refém pelos bandidos foragidos no assalto à fábrica de joias ocorrido na madrugada do último domingo. As duas casas ficam nas proximidades de Bento Gonçalves, na linha Ferri. Logo que os bandidos invadiram a chutes a casa do agricultor Vanderlei Casanova, 38 anos, a primeira pessoa a ser acordada foi a mulher dele, Ivonete, 31 anos.

— Quando acordei e vi minha esposa com uma arma na cabeça, agarrei ela com força e comecei a gritar, desesperado — relembra, muito nervoso.

Logo após, a filha Ionara, 13 anos, a tia que teve paralisia na infância e vive em cadeira de rodas aos 70 anos (Natalina) e a mãe Luísa, 71 anos, também foram acordadas.

A tentativa de proteção cessou quando o dono da casa percebeu a presença de mais três homens armados, vestindo roupas compridas e toucas-ninja. Molhados dos pés à cintura, cansados, mal cheirosos e famintos, os homens amarraram a família em correntes de plástico e desceram ao porão para comer. Queijo, carne assada e uma torta doce foram a refeição dos assaltantes. Eles também beberam cerveja e pegaram refrigerantes para a fuga.

A cerca de 20 metros dali, a casa de Ari, 42 anos,irmão de Vanderlei, também foi invadida. Ele e a mulher, Márcia, 37 anos, se juntaram ao grupo. O tempo todo, os invasores deixaram claro que só queriam pegar os carros — um Escort e um Chevette — da família para fugir. Seus comparsas estariam esperando na estrada. Para garantir que a família não fizesse nenhuma denúncia e garantir o senso de orientação, levaram Ari de refém, ameaçando que se avisassem a polícia teriam o parente morto.

— A gente imaginava que eles já estivessem bem longe daqui— comentou Ari.

A invasão deixou a família em alarde. Quando falam sobre o ocorrido, não acreditam que tenha sido com eles, e dizem que, quando esse tipo de coisa passa na televisão, jamais poderiam se imaginar na mesma situação.

Na cabeceira do quarto do casal, uma nota de R$ 50 foi deixada pelos ladrões, como pagamento pela refeição que fizeram e pela gasolina dos carros. A nota, molhada, saiu de um enorme bolo de dinheiro que os assaltantes carregavam. O que fazer com ela, agora, Ivonete decidirá. Talvez coloque fogo para esquecer a ingrata lembrança.

Com o quintal repleto de cães, patos e galinhas, o local onde mora a família Casanova é idílico. Toda essa beleza, porém, não fazia sentido para um agricultor vizinho:

— A gente mora numa região privilegiada e rica por causa da natureza e das joias de Cotiporã. Mas, porco zio, isso acaba atraindo bandidos e sempre sobra para nós, agricultores, que moramos desprotegidos no meio do nada — esbravejou.

Saiba mais:
Acompanhe os bastidores da ação que durou 31 horas na serra gaúcha
Entenda a cronologia dos fatos do assalto que aterrorizou Cotiporã

GALERIA DE FOTOS:
> A libertação dos reféns na Serra
> A ação dos bandidos em Cotiporã

Em VÍDEO, repórter Humberto Trezzi relata o terror em Cotiporã:



VÍDEO mostra parte da ação de bandidos em fábrica de joias de Cotiporã

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