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Insegurança no Interior12/01/2013 | 08h02

Cidades da Serra convivem com o medo dos assaltos

Moradores de pequenos municípios região tornaram-se alvo de assaltantes

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Cidades da Serra convivem com o medo dos assaltos Charles Dias/Especial
Banco do Brasil de Antônio Prado ainda está em reforma depois do ataque ocorrido em dezembro Foto: Charles Dias / Especial

Ao visitar três cidades da região e verificar que a ação violenta de assaltantes vem aumentando a sensação de insegurança, ZH constatou que moradores de comunidades da zona rural estão investindo em itens de segurança antes comuns só em grandes municípios.

Produtores rurais com medo

Os moradores de Antônio Prado lembram do assalto ao Banco do Brasil na madrugada de 15 de dezembro como um filme. Nas paredes das casas, algumas delas em prédios históricos, as marcas de tiros do confronto entre polícia e assaltantes ainda são vizinhos. Mas esse não o único motivo de medo na cidade.

Residências e comércios também têm sido alvo dos bandidos. Bruna Lira, 23 anos, fechou a loja de roupas que mantinha no centro depois que quase todos os produtos foram roubados.

— Eles chegaram durante a madrugada. Enquanto arrombava, um ficou com uma arma que parecia uma metralhadora, apontando para as casas em volta. Vizinhos chegaram a ver, mas não puderam fazer nada — lembra Bruna.

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Ações como a que motivou o fechamento do negócio da comerciante são o argumento usado pela Câmera de Dirigentes Lojistas (CDL) para pedir a instalação de câmeras de vigilância na cidade de cerca de 13 mil habitantes.

— Apresentamos esse pedido ao prefeito anterior, e queremos levar essa proposta adiante agora. Os comerciantes estão preocupados, muitos temem ter que fechar lojas — afirma o presidente do CDL, Luiz Carlos Vieira Bueno.

Segundo o comandante local da Brigada Militar, tenente César Antonello, a cidade conta diariamente com apenas três policiais patrulhando as ruas. A defasagem no efetivo da BM de Antônio Prado chega a 50%.


Em Farroupilha, grades separam clientes e vendedores

O primeiro efeito da sensação de medo que atinge os moradores de Farroupilha foi a busca por mais segurança. Proprietário da empresa Aço Forte, de Farroupilha, o empresário Ricardo Testolin conta que nos últimos meses teve um incremento no número de clientes de cerca de 20%.

— Mas mesmo colocando grades nas casas e comércios, a população não se sente segura. Aqui na rua onde tenho a empresa um cliente colocou mais grades, foi assaltado, e agora quer vender a casa — conta o empresário.

Farroupilha registrou aumento nos índices de roubo no ano passado. Na comparação entre 2011 e 2012 o aumento nos casos foi de 10,2%, segundo a Brigada Militar. De acordo com o gerente da Farmácia São Lucas, Rafael Macalossi, a insegurança tem afastado os clientes que costumavam comprar durante a noite. Além disso, entre 20h e 22h a farmácia passou a atender através de grades.

— Fomos assaltados duas vezes, então colocamos as grades. Também contratamos segurança privada, porque o policiamento ostensivo não suficiente — Macalossi.

Segundo o comandante da Brigada Militar em Farroupilha, capitão Luís Fernando Becker, a proximidade com Caxias do Sul faz com que a cidade seja alvo de ladrões da cidade vizinha.

— Farroupilha é um reflexo do que acontece na região, com o agravante da migração de ladrões de Caxias. Mesmo que não sejam muitos casos, a violência das ações tem afetado o psicológico dos moradores — explica.




Produtores rurais com medo em Flores da Cunha

Assaltos na zona rural de Flores da Cunha tem preocupado os moradores do município. De acordo com o Sindicato do Produtores Rurais da cidade, alguns agricultores já cogitaram a ideia de deixar o campo, pelo medo de serem as próximas vítimas.

Dois assaltos em uma mesma noite no início do mês passado motivaram reuniões entre os moradores. O primeiro deles, na noite do dia 4 de dezembro, foi na localidade de Linha 60. Cinco horas e meia depois, outro assalto, dessa vez na comunidade de Lagoa Bela. Nos dois, ladrões armados invadiram as propriedades, e renderam as famílias.

— O meio rural deixou de ser aquele lugar tranquilo. São muitas as possibilidades de fuga pelas estradas vicinais. Como a área é muito grande, a Brigada Militar não tem como patrulhar todas as localidades — lembra o presidente do sindicato, Olir Schiavenin.

Algumas famílias de agricultores estão optando por cercar as residências, isolando as casas do restante da propriedade.

— Essa tem sido a única forma de as pessoas se protegerem. Ainda assim os ladrões podem atacar quando os moradores estão chegando em casa — lembra o presidente do sindicato.

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