Foi baseando-se em um costume dos funcionários da unidade do Bradesco no centro de Sapiranga, no Vale do Sinos, que um grupo de assaltantes encontrou uma forma de roubar a agência. Vestindo uniformes de uma empresa metalúrgica com fábrica na cidade, eles entraram no banco, anunciaram o assalto ao sacar pistolas, e levaram o malote recém descarregado por um carro forte.
Era comum a gerência liberar a entrada dos trabalhadores da empresa sem passar pelo detector de metais. As botas usadas pelos funcionários da metalúrgica têm uma alma de aço, que tranca a passagem nas portas. Com salários sendo recebidos mensalmente na agência, os trabalhadores uniformizados tinham o acesso facilitado pelos vigilantes.
Valendo-se do hábito, três homens chegaram ao Bradesco por volta das 12h20min vestindo os mesmos uniformes. Cerca de 15 minutos antes, um carro forte havia descarregado um malote com o dinheiro que abasteceria os terminais eletrônicos. A estimativa da polícia – não confirmada pelo banco – é de que os valores roubados se aproximem dos R$ 300 mil.
— Parte do dinheiro do malote já havia sido colocada no cofre. Eles levaram a parte que seria colocada imediatamente nos caixas eletrônicos — explica o chefe de investigação da delegacia de Sapiranga, Mauro Magalhães.
Assim que chegaram na porta com detector de metais, os homens tiveram a passagem liberada. Dentro da agência, os três, que não esconderam o rosto em nenhum momento, sacaram pistolas, e renderam dois seguranças. Em seguida, obrigaram uma funcionária do banco a entregar o malote.
De acordo com a Polícia Civil, a ação durou cerca de dois minutos, entre a liberação da entrada dos assaltantes na porta, e a saída do trio. Não houve gritos, nem ameaças aos clientes, que não tiveram seus pertences roubados. Além disso, os assaltantes sequer pediram o dinheiro dos caixas do banco.
— Toda a estada deles na agência não foi maior do que cinco minutos. Foi um roubo planejado para ser rápido — reforça Magalhães.
Os três homens deixaram o banco, no centro da cidade de cerca de 75 mil habitantes, pela porta da frente em um dos horários de maior movimento no local. Na rua eram esperados por um Honda Civic e por um Renault Mégane. O segundo carro foi abandonado no bairro Santa Fé logo em seguida. Os ladrões chegaram a tentar colocar fogo no veículo, mas as chamas não se espalharam.
Durante a tarde desta quarta-feira, dez viaturas da Brigada Militar fizeram buscas na região. Sem qualquer indício do paradeiro dos assaltantes, a procura foi suspensa.
Ladrões se aproveitaram de falhas na segurança
De acordo com a polícia, além de deixar que os ladrões entrassem passando-se por metalúrgicos, sem passar pelo detector de metais, a unidade do Bradesco de Sapiranga não dispõe de câmeras de vigilância, nem mesmo dentro do saguão de atendimento. Com isso, mesmo que os assaltantes não tenham escondido o rosto, a identificação dos assaltantes será mais difícil.
Através de sua assessoria de imprensa, o Bradesco não quis se manifestar sobre a ação do grupo. A gerência da unidade de Sapiranga também foi procurada, mas igualmente optou por não falar sobre o assalto.
De acordo com o coordenador do coletivo nacional de segurança bancária, Ademir Wiederkehr, a orientação repassada pela Conferência Nacional dos Trabalhadores do Ramo Financeiro é de que nenhum cliente tenha a permissão de entrar nas agências sem antes passar pelos detectores de metais.
— É uma falha pontual. Sempre é ressaltada a importância de não liberar a entrada de quem quer que seja — afirma Wiederkehr.
Uma das reivindicações dos sindicalistas, é de que todas as unidades bancárias tenham câmeras de segurança, internas e externas.
— Esse monitoramento inibe assaltos. No caso de eles acontecerem, como nesse, essas imagens ajudariam a polícia — argumenta.








