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Opinião15/12/2012 | 10h22Atualizada em 15/12/2012 | 10h26

Sua Segurança, por Humberto Trezzi: A volta dos cangaceiros urbanos

Colunista de ZH analisa tática adotada por bandidos em ataques a banco no Interior

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"Viver bem é estar seguro", diz o slogan pintado no carro, estacionado na área central da pequena e bela cidade de Antônio Prado.

Era. O veículo, um Gol, é prova de que morar no Interior já não é garantia de segurança. Pelo menos 25 tiros atingiram o carro, durante oataque dos cinco bandidos que apavorou a cidade serrana, na madrugada de sábado.

A Serra, talvez pelo bom poder aquisitivo de seus moradores, é o alvo mais frequente, em território gaúcho, das táticas do Novo Cangaço — apelido que os policiais dão a essa modalidade perigosa de assalto. É uma nominação mais que apropriada, já que os quadrilheiros agem como bandidos nordestinos do início do século 20: armados com o que há de mais moderno, atacam e tomam uma pequena localidade. Os criminosos usam táticas militares: em alguns casos, derrubam torres de telefonia, cortam fios de telefone e luz, deixando a cidade incomunicável. Fazem moradores de reféns e tiram parte de suas roupas, para vexá-los e inibir sua fuga. Quase sempre atacam a guarnição da BM, a única força policial nessas comunidades diminutas (a maioria delas não têm posto da Polícia Civil). A ideia, lógico, é impedir qualquer reação e garantir a fuga. As quadrilhas sempre contam com algum integrante da região, que conhece estradas da roça e cria rotas de escape.

Com a morte e prisão de alguns desses "novos cangaceiros", o crime tinha caído em desuso no Sul. Voltou com força há alguns dias — já são três casos desde novembro. Há alguns anos o Rio Grande do Sul viveu uma surto desse tipo de roubo. Foram pelo menos nove casos de cidades tomadas e 12 bancos assaltados com reféns, entre 2006 e 2009. Foram ataques a agências bancárias simultâneas, com tomadas de reféns, em cidades como Triunfo, Rolante, Farroupilha, Bom Jesus, Dom Feliciano, praticados por pelo menos dois bandos diferentes. Graças a ações da Polícia Civil, BM e Polícia Rodoviária Federal, um grupo de ex-militares (PMs e até um sargento da Aeronáutica) que atuava dessa forma foi desbaratado, com dois integrantes mortos em confronto e os demais, presos.

Um outro grupo atuava só na Serra e também sofreu baixas. Um assaltante, Juliano da Rosa, o Julianinho, foi morto em confronto com PMs em Caxias do Sul. Do grupo dele estão vivos Elisandro Rodrigo Falcão e Gilmar Soares da Silva, o Nino. Falcão é suspeito de ter liderado o assalto de sábado em Antônio Prado. Chama a atenção o armamento do bando: vários fuzis, inclusive um .30 (munição antiaérea), foram usados.

Seria de bom tom se a Polícia Federal se juntasse à investigação. De onde vem esse armamento? Além disso, o Novo Cangaço é um fenômeno nacional e muitas quadrilhas se articulam em vários Estados. A tomada de cidades se tornou epidêmica no Nordeste e Norte, especialmente Maranhão e Pará.

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