Foi nesta última localidade que os criminosos explodiram uma fábrica de joias e transformaram em escudos-humanos mais de três dezenas de pessoas, na madrugada de domingo. Os bandidos foram interceptados pela Brigada Militar durante a fuga e levaram a pior: três assaltantes morreram em confronto — um deles era Elisandro Falcão, 31 anos, o criminoso mais procurado do Estado — e cinco escaparam para a densa mata que cobre a região, fazendo mais reféns.
Uma família ficou 20 horas em poder do bando, até que os criminosos decidiram prosseguir a fuga sem reféns. As buscas da BM se concentram nos cinco sobreviventes do bando.
O serviço reservado (P2) acredita que eles sejam foragidos de um albergue do regime prisional semiaberto de Canoas, na Região Metropolitana. Isso porque o irmão de um dos bandidos mortos fugiu dessa prisão e até agora não foi localizado — há suspeita de que ele tenha participado do assalto em Cotiporã, junto com os demais fugitivos do albergue. Fotos desses suspeitos foram impressas e distribuídas nas quatro barreiras montadas pelos PMs na Serra.
Brigada Militar mostra foto de suspeitos do sequestro de Cotiporã
Foto: Ronaldo Bernardi
Em paralelo, o Comando da BM decidiu inovar e, num QG montado em Cotiporã, faz uso de imagens de satélite para auxiliar nas buscas aos fugitivos. Os policiais acessam o Google Earth para ver fotos de todos os morros, curvas de rios, matas e praias da região. O objetivo é identificar possíveis rotas de fuga dos criminosos. Até as residências aparecem nas imagens. Com base nesse levantamento, os PMs enviam pelotões fortemente armados pelas trilhas, atrás dos criminosos.
— É o uso da ciência para ajudar a comunidade. Nossa meta é reduzir o perímetro de fuga dos bandidos, até encontrá-los — sintetiza o comandante-geral da BM, coronel Sérgio Abreu, que não arreda pé de Cotiporã, transformada temporariamente em centro de operações da Brigada Militar.
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