Crime sem suspeitos21/12/2012 | 14h53
Polícia refaz roteiro de adolescente morta em Santa Cruz do Sul
Caso ainda tem muitas hipóteses e nenhum suspeito de matar Ana Paula Sulbacher, 15 anos
Passo a passo, a polícia começa a refazer todo o roteiro percorrido por Ana Paula Sulzbacher, 15 anos, na noite de sexta-feira, dia 14, quando ela foi morta em Santa Cruz do Sul, no Vale do Rio Pardo. Os investigadores receberam os resultados do rastreamento do celular da jovem, que está ajudando a mapear os pontos por onde ela passou antes do crime.
Uma hipótese tem ganhado força. Ana Paula saiu para encontrar com amigos, mas houve um desencontro. Sem querer voltar para casa, ela estaria andando pela rua quando foi abordada pelo criminoso.
— É bastante provável que seja alguém desconhecido, ou então alguém que ela conhecia superficialmente. Não acredito que o crime tenha sido cometido por uma pessoa próxima a ela — afirma o delegado Miguel Mendes Ribeiro Neto.
Os resultados da necropsia apontam, preliminarmente, que houve uma tentativa de estupro não consumada. Para a polícia, isso indica que Ana Paula pode ter chegado a fugir do criminoso, mas que foi pega e jogada do penhasco no Parque da Cruz. A outra possibilidade é de que ela tenha caído enquanto era perseguida.
— Os relatos de pessoas que dizem ter visto ela naquela noite ainda são bastante dúbios. Sabemos que até às 22h02min ela estava usando o celular normalmente, depois disso parou da falar — observa o delegado.
O telefone da adolescente continua desaparecido. Até o momento, a polícia não em fala suspeitos de cometer o crime.
Família tenta retomar a rotina
Uma semana depois de Ana Paula sair de casa pela última vez, os pais preferem não falar sobre o caso. Fora a dor da perda, eles contam que foram orientados pela polícia a não comentarem a morte da filha, por causa dos inúmeros boatos que têm surgido entre os moradores do bairro Margarida Aurora, onde eles vivem.
— Estão comentando muitas coisas e as pessoas vêm nos falar, mas nem queremos saber. A polícia é que tem que investigar isso, e os boatos só atrapalham — comenta o pai Dário Sulzbacher, 39 anos.
Às vésperas de completar uma semana do desaparecimento da sua primogênita, Sulzbacher continua dizendo que não sabe o que aconteceu, que a filha se relacionava bem com todo mundo. Ele, que é funcionário de uma empresa de móveis, já voltou ao trabalho. A esposa, Silvani Sulzbacher, 31 anos, é doméstica em uma casa de família, mas não retomou a rotina e permanece em casa, tentando digerir o trauma, na companhia dos filhos João Paulo, 7 anos, e Luana, 14, que estão de férias.
— Já não temos aquela sensação de segurança que a gente tinha, por morar há tantos anos no mesmo bairro. Se for algum conhecido da Ana Paula que fez isso, a situação se torna pior ainda — conclui o pai.