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Desfecho trágico18/12/2012 | 22h49

Polícia acredita que garota foi morta por desconhecido em Santa Cruz do Sul

Corpo de adolescente de 15 anos foi encontrado três dias após o desaparecimento

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Polícia acredita que garota foi morta por desconhecido em Santa Cruz do Sul Cesar Lopes/Especial
Amigos, familiares e colegas de Ana Paula pedem justiça e segurança Foto: Cesar Lopes / Especial
Um dia após encontrar o corpo da estudante Ana Paula Sulzbacher, 15 anos, em Santa Cruz do Sul, a Polícia Civil acredita que a garota tenha sido vítima de um crime não planejado. O matador seria alguém que a adolescente não conhecia. 

O corpo foi localizado após quase três dias do desaparecimento dela, abaixo de um penhasco no Parque da Cruz, ponto turístico do município do Vale do Rio Pardo. O local fica a cerca de um quilômetro da casa da vítima, que morava com os pais e dois irmãos. Para o titular da Delegacia de Proteção à Criança e ao Adolescente, Miguel Mendes Ribeiro Neto, os indícios levam a crer que se trata de um crime circunstancial: 

– A suspeita é de que ela tenha sido vítima diante da vulnerabilidade em que se envolveu, estando sozinha, na rua e à noite – explica. 

Segundo Ribeiro Neto, a hipótese é sustentada pela análise do sigilo telefônico de Ana Paula, que não revelou ligações com desconhecidos, e do relato de amigos e familiares, que não apontaram desavenças ou relacionamentos mal resolvidos. A polícia ainda não tem nenhum suspeito e também não descarta outras motivações. 

A investigação revelou nesta terça-feira que a última ligação recebida pela garota foi feita pelo amigo e vizinho Kelvin Soares, 16 anos, pouco depois das 22h. Kelvin conta que trocou mensagens com a amiga, combinando de ela ir até a sua casa, e que após seguiriam até o Monumento ao Imigrante Alemão, ponto de encontro que costumavam frequentar no centro da cidade: 

– Eu disse para ela vir até a minha casa às 23h. Ela me respondeu que ficar mais uma hora na rua era perigoso, mas não sabia que ela já estava na rua. Liguei, preocupado, e ela respondeu que já estava indo até a minha casa. 

Com a demora, Kelvin afirmou que outro amigo resolveu dar uma volta procurando por Ana Paula nas redondezas, mas não a encontrou. Ele então teria ido até o monumento. Os pais só foram avisados na manhã de sábado, quando o caso foi registrado na polícia. 

Laudo aponta que morte ocorreu na sexta-feira 

A necropsia indicou que a morte ocorreu na sexta-feira, devido ao estado avançado de decomposição. A causa indicada foi a perda excessiva de sangue, provocada por múltiplas fraturas. Conforme o delegado, as lesões indicam que ela pode ter sido jogada do alto do penhasco, que tem cerca de 40 metros de altura. Galhos quebrados no despenhadeiro confirmariam essa possibilidade. 

O exame de lesões não foi conclusivo sobre a possibilidade de violência sexual, embora o delegado não descarte a suspeita. Exames complementares foram requisitados e o laudo deve ser concluído em até 10 dias. 

– Vamos analisar o computador de Ana Paula, que já foi recolhido, bem como ouvir testemunhas e procurar possíveis imagens de câmeras de segurança – revela o delegado. 

Protesto em silêncio 

O velório e sepultamento de Ana Paula Sulzbacher, realizados na manhã de terça-feira, reuniu um grande número de pessoas de Santa Cruz do Sul. A diretora da Escola Estadual Nossa Senhora de Fátima, Lucineia Gewehr Goettems, conta que a adolescente estudou no colégio por nove anos: 

– Ela era meiga e benquista por todos. Estudiosa e quieta, mas sempre rodeada de amigos. 

Ana Paula foi eleita a aluna mais bonita da escola em 2011. Neste ano, por falta de tempo, a instituição não realizou nova eleição. De acordo com a diretora, o concurso não será promovido enquanto ela estiver no comando da escola, como forma de homenagem à aluna. 

Durante a tarde, porém, a comoção se transformou em revolta. Às 16h, um grupo saiu da Praça Getúlio Vargas, no Centro, e seguiu, em silêncio, até a Delegacia da Polícia de Pronto Atendimento (DPPA). A mobilização pediu por mais segurança em Santa Cruz do Sul e também justiça para esclarecer a morte de Ana Paula. 

– Um caso desses não pode ficar impune e esperamos que outros crimes brutais não aconteçam – desabafou Nicole Weber de França, 24 anos, empresária amiga da família e coordenadora do protesto.

Comentar esta matéria Comentários (1)

alex

Pêsames aos familiares, nada justifica esta brutalidade. Por outro lado, a matéria diz: "Os pais só foram avisados na manhã de sábado, quando o caso foi registrado na polícia." Infelizmente as coisas mudaram, não é como antigamente, qualquer cidade esta perigosa, temos que ter cuidado ao extremo.

19/12/2012 | 00h16 Denunciar

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