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Sucesso na operação31/12/2012 | 12h34Atualizada em 31/12/2012 | 13h33

O líder do resgate de Cotiporã

Conheça quem é o capitão Juliano Amaral que anunciou pelo twitter o resgate dos nove reféns

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O líder do resgate de Cotiporã Caco Konzen/Especial
"Quando encontramos as vítimas foi um momento emocionante", disse Juliano Foto: Caco Konzen / Especial
Lara Ely, Cotiporã

lara.ely@zerohora.com.br

A operação que terminou o ano contando pontos positivos a favor da Brigada Militar teve a frente de seus homens o capitão Juliano Amaral, um policial que usa Twitter, faz trabalho voluntário, pratica esportes e curte Gangnam Style.

Ao anunciar o resgate dos nove reféns pela rede social o capitão mostrou ser um homem conectado com o seu tempo, e não deixou a rotina pesada da vida policial endurecer a relação com o mundo. Tem a fala leve, o sorriso franco e gostos joviais.

Uma sutileza que revela essa característica é que, mesmo aos 41 anos, escolheu como toque de seu celular (que não parou de tocar um minuto nas últimas 48 horas) o hit do momento nas paradas de todo o mundo: Gangnam Style — a música toca e quem está perto já começa a dançar.

Após publicar em seu perfil no Twitter que as vítimas haviam sido encontradas e estavam bem, remetendo gratidão a Deus, concedeu uma entrevista a Rádio Gaúcha em que declarava abertamente seu amor à instituição Brigada Militar.

— Quando encontramos as vítimas, a cerca de 1,5 quilômetro de casa, foi um momento emocionante. Foi, sem dúvida, o que garantiu um final feliz para o ano de 2012. Espero que continue assim até o fim do dia de amanhã — disse na madrugada de segunda-feira.

Pois é de casa que Juliano traz o gosto pela profissão de policial. Cresceu vendo o pai e o irmão trabalharem na polícia. Já passou por cidades como Santa Maria e Porto Alegre, mas atualmente fixou residência em Flores de Cunha. Ainda não tem filhos, mas tem uma noiva que ficou chateada quando soube que mais um feriadão com viagem marcada teria que ser adiado por causa da profissão do futuro marido. Ela vai ter de se acostumar com a vida agitada, pois é exatamente neste tipo de situação que o coração de Juliano bate mais forte:

— Trabalhar em uma operação como essas é o sonho de consumo de todo policial. É pura adrenalina.

Sobre o Twitter, ele diz que aprendeu a usar há dois anos, quando participou de um treinamento no Rio de Janeiro nas incursões às favelas nos morros. Disse que, desta forma, a comunicação com as comunidades flui melhor. Achou interessante e decidiu adotar, apesar de "ter gente que critica e que não gosta, por achar que é exposição demais". Àquela altura da madrugada, estava curioso para ler todos os comentários na rede social.

Perguntado sobre sua crença religiosa, Juliano diz que foi criado em meio a Assembleia do Reino de Deus, e que os pais são evangélicos. Mas, apesar de não seguir uma religião específica, acredita que sem a mão de Deus o resgate não teria sido feito dessa forma.

Autoconfiança e disciplina também não faltam à personalidade de Amaral. Com experiência de quem liderou outras operações como essa, ele firmou-se como um homem de confiança da polícia local e está há dois meses na missão que investiga os crimes que acontecem na região. Rápido no gatilho, foi firme ao responder qual era o palpite para o desfecho da história:

— Tinha 99% de certeza que os reféns seriam liberados sem problemas. Os assaltantes são profissionais do crime, conhecem a legislação e sabem que a pena ia ser dura, caso machucassem alguém — conclui, gabando-se.

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