Versão mobile

Santa Cruz do Sul19/12/2012 | 16h33

Celular desaparecido pode ajudar a desvendar morte de adolescente

Corpo de Ana Paula Sulzbacher foi encontrado sem o aparelho que ela carregava

Enviar para um amigo
Celular desaparecido pode ajudar a desvendar morte de adolescente Vanessa Kannenberg/Agência RBS
Visitantes tem fácil acesso ao penhasco de onde Ana Paula caiu Foto: Vanessa Kannenberg / Agência RBS
Cinco dias após a morte de Ana Paula Sulzbacher, de 15 anos, em Santa Cruz do Sul, no Vale do Rio Pardo, o caso ainda é um quebra-cabeça, com depoimentos contraditórios e informações desencontradas.

O celular que a menina carregava quando saiu de casa, na sexta-feira à noite, ainda não foi encontrado. Um possível rastreamento pode ajudar a desvendar o crime. No entanto, o delegado Miguel Mendes Ribeiro Neto prefere não dar detalhes para não atrapalhar a investigação:

— Ainda estamos admitindo todas as suspeitas. Há muitas divergências e por isso temos de relativizar tudo.

Embora a troca de mensagens e ligações telefônicas tenham sido os últimos contatos da menina que se tem registro, enquanto ela estava viva, a quebra do sigilo telefônico, por enquanto, não indicou nenhuma relação com o crime. Conforme o delegado, não há números diferentes dos que ela normalmente usava para se comunicar. O computador de Ana Paula está com a polícia, mas ainda não foi averiguado.

Ontem, Ribeiro Neto também admitiu que o relato de testemunhas que disseram ter visto a menina caminhando, após as 22h de sexta-feira, em direção ao centro da cidade, não se confirmaram, porque as informações fornecidas não fecharam com as roupas que Ana Paula usava.

Por isso, a única certeza que ele tem é de que a menina saiu de casa às 20h45min. Por outro lado, novos depoimentos levam para outras hipóteses. 

— É uma teia que vai se formando e é preciso cuidado para analisar tudo — conta, sem dar detalhes, o delegado.

A polícia também procura por possíveis câmeras de monitoramento que possam ter registrado o percurso da menina. No entanto, o Parque da Cruz, ponto turístico onde Ana Paula foi encontrada, na segunda-feira, não possui câmeras e os vigilantes contratados pela prefeitura trabalham somente até as 19h. Após, o local é fechado.

Entretanto, o parque é apenas parcialmente cercado, oferecendo acesso a pessoas em qualquer momento do dia. 

— Tinha evento de uma igreja no parque até as 21h30min de sexta-feira. Depois não ouvimos mais nada. Mas sempre tem gente entrando e saindo dali — conta o marceneiro Frederico Brandt, 32 anos, que mora ao lado do morro da cruz.

O local de onde Ana Paula teria caído, em uma possível fuga, ou tenha sido empurrada fica a cerca de cinco metros do mirante da cruz, onde os visitantes conseguem visualizar a cidade. No entanto, o acesso à beira do penhasco, pelas laterais, é fácil, pois não há grades impedindo a passagem. Ali, o terreno é irregular, com muitas pedras soltas e vegetação variada, além de não ter iluminação.

— Falta segurança, câmeras e iluminação. Não é à toa que muita gente já se matou aqui e outras usam para consumo de drogas e bagunça — revela o vigia do parque Enedi Frozza, 64 anos.

O penhasco de onde Ana Paula caiu tem aproximadamente 40 metros de altura e era uma antiga pedreira. Abaixo dele, onde o corpo dela foi encontrado, tem mata e muitas pedras. Ao lado, fica o anfiteatro feito para sediar eventos.


ENTENDA O CASO

— Ana Paula Sulzbacher, de 15 anos, saiu de casa às 20h45min da última sexta-feira dizendo que iria na casa de uma amiga, mas esta amiga não estava em casa.

— Pelo celular, a adolescente estava combinando de ir na casa de um amigo, que fica no mesmo bairro onde ela morava, mas também não apareceu.

— O sumiço foi comprovado na manhã de sábado, quando o caso foi registrado na polícia.

— Na segunda-feira, às 17h10min, um morador encontrou o corpo no Parque da Cruz, com a ajuda de cães.

— A necropsia indicou que há lesões nos órgãos sexuais, mas não foi conclusiva quanto ao abuso sexual. O exame ainda indicou que a menina morreu devido à perda de sangue, causada por múltiplas fraturas, possivelmente decorrente da queda de 40 metros do penhasco.

Comentar esta matéria Comentários (0)

Esta matéria ainda não possui comentários

Siga os perfis de ZH no Twitter

clicRBS
Nova busca - outros