Depois de 45 dias, criminosos voltaram a lançar mão de uma tática que desafia a polícia e amedronta comunidades do interior gaúcho. No início da tarde de ontem, uma quadrilha invadiu o Banco do Brasil em Nova Pádua, na Serra, roubou dinheiro da agência e obrigou clientes e funcionários a formarem um escudo humano na fuga.
Bando entrou no banco por um buraco feito na lateral de vidro
Foto: Porthus Junior
Com pouco mais de 2,5 mil habitantes, o município foi o segundo alvo na Serra desde 1º de novembro, quando o Banco do Brasil de Fagundes Varela foi atacado por bandidos que adotaram a mesma estratégia usada com frequência entre 2007 e 2009.
Encapuzados, vestidos com coletes à prova de balas e portando armas longas (como fuzil), quatro assaltantes chegaram à cidade em um i30 preto, placas IQJ-2779, roubado em Caxias do Sul na quarta-feira.
Sem disparar um tiro, estacionaram o carro em frente à agência. Com uma marretada na parede de vidro da agência, abriram um buraco e entraram no local. Para sair, quatro funcionários do banco e outros cinco clientes serviram de escudo humano — em fila indiana, com as mãos levantadas, trancando a rua para que os bandidos fugissem.
Após o assalto, os bandidos entraram no veículo e fugiram pela VRS-314, uma estrada vicinal que liga o município a Flores da Cunha. Houve uma troca de tiros entre os ladrões e policiais militares. Um PM feriu-se na mão, mas passa bem.
Bandidos tiveram os pneus furados pelos próprios miguelitos
Foto: Porthus Junior
Perdidos na cidade, os ladrões acabaram furando os pneus ao passarem sobre miguelitos (pregos retorcidos usados para furar pneus) que haviam deixado no caminho. O i30 foi abandonado em uma via da localidade Linha 40, interior de Flores da Cunha.
Para o capitão da BM Flori Chesani Jr, da agência de inteligência da Serra, os bandidos estariam no meio da mata em torno da via onde abandonaram o carro.
— Pelos relatos dos reféns, e pelo que aparece nas imagens das câmeras de segurança do banco, os bandidos estavam bastante nervosos — afirma o capitão.
Até o final desta noite, com auxílio do helicóptero da Polícia Civil, policiais realizavam buscas no mato da região.
Volume de ataques cresce no final do ano
De acordo com o delegado Juliano Ferreira, titular da Delegacia de Roubos do Deic, ainda não é possível se tirar conclusões sobre o assalto. Somados aos ataques com explosivos, os assaltos com uso de reféns como escudo humano preocupam a polícia.
— É normal, no final do ano, crescer a quantidade de assaltos a banco. Ainda não podemos fazer afirmações a respeito deste caso. Precisamos dos dados da perícia e das imagens de vídeo do banco — afirma o delegado.
Segundo Ferreira, o ataque não teria relação com a ação de Fagundes Varela.
Veja onde ocorreu o assalto
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