Ao reunir 470 agentes, ontem, a Polícia Civil dissuadiu os suspeitos presos de qualquer tentativa de reação. Apesar de a tática de garantir supremacia numérica para evitar confrontos ter sido exitosa, esse tipo de operação é vista com ressalvas por alguns especialistas da área de Segurança Pública.
No comando da Academia da Polícia Civil, unidade responsável pela formação de agentes e delegados, o delegado Francisco Tubelo defende as grandes operações como uma estratégia de duplo benefício: evita revides de bandidos e demonstra a força do Estado em áreas até então tomadas pelo crime.
— Parte do curso de formação, com mais de 970 horas, é dedicado a questões operacionais. Temos, por exemplo, uma área onde trabalhamos a parte de incursão em áreas de difícil acesso, como vilas — explica ele.
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O delegado Heliomar Franco, que coordena as investigações do Departamento Estadual de Investigações do Narcotráfico (Denarc), aposta nas grandes operações como estratégia para combater o tráfico de entorpecentes no Estado. Recentemente, o policial esteve à frente de cursos de aperfeiçoamento para policiais do interior do Estado.
Chamado de Planejamento de Operações Especiais, o intensivo leva o conhecimento acumulado pelos departamentos especializados a agentes e delegados menos acostumados ao combate ao crime organizado.
— Esse tipo de qualificação tem aumentado o número de grandes operações. A estratégia gera economia, pois você emprega três ou quatro agentes durante alguns meses em uma investigação e recruta mais policiais apenas na hora de cumprir os mandados. Depois da operação, eles voltam às suas delegacias — explica Heliomar.
Entre os especialistas, há quem critique as grandes operações, classificando como desnecessárias e midiáticas. Para o ex-secretário Nacional de Segurança Pública, o coronel reformado da PM de São Paulo José Vicente Silva Filho, ações como a realizada na segunda-feira deveriam reunir não apenas policiais civis. mas também PMs fardados.
— O policial civil tem de investigar, não fazer operação na rua. A PM é que tem treinamento para atuar em grandes operações. Se você só reúne policiais sem preparação para agir em conjunto, temos apenas um bando armado, não uma unidade tática. O melhor seria aproveitar os batalhões especiais da PM, que sabem agir de forma organizada se algo der errado.













