Imagens de câmeras de vigilância obtidas pela 14ª Delegacia da Polícia Civil (bairro Vila Jardim), de Porto Alegre, mostram parte dos últimos momentos de vida do coronel reformado do Exército Julio Miguel Molinas Dias, 78 anos, assassinado na quinta-feira da semana passada, no bairro Chácara das Pedras, em Porto Alegre.
As cenas foram gravadas em prédios da Avenida Nilo Peçanha e da Rua Professor Ulisses Cabral, via onde o militar morava e foi morto ao se aproximar de casa. Na moradia do coronel e nos arredores, a polícia não localizou câmeras que pudessem mostrar outros detalhes do crime.
Os vídeos encontrados foram extraídos de quatro equipamentos, sendo que três registraram com mais precisão a movimentação do carro do militar e de um Gol, pouco depois das 21h de 1º de novembro. Duas câmeras, em cores, mostram o C4 prata de Molinas Dias, seguido pelo Gol vermelho usado pelos bandidos.
As cenas não permitem visualizar os criminosos. Para tentar melhorar a qualidade, a polícia encaminhou cópias dos vídeos para um laboratório especializado que está tratando as imagens. A polícia também faz busca por meio de imagens de câmeras da Empresa Pública de Transporte e Circulação (EPTC). Ao menos uma delas mostraria a passagem dos dois veículos pela Nilo Peçanha próximo à Rua Carazinho.
Um dos objetivos da polícia é identificar a placa do Gol que, tudo indica, seria roubado. Um carro de mesmo modelo e cor foi encontrado na noite de domingo, a cinco quadras do local do crime. O veículo, com placas clonadas de um Gol de Caxias do Sul, foi roubado em 14 de outubro, na mesma rua onde Molinas Dias foi morto. O dono do Gol prestou depoimento na 14ª DP, folheou o álbum de fotos de suspeitos, mas não teve condições de apontar suspeitos.
As imagens obtidas pela polícia também não ajudam a esclarecer quantos homens atacaram o coronel. Um dos criminosos estaria dentro do C4 com o coronel e, pelo menos mais um, ao volante do Gol. Segundo relato de uma testemunha, Molinas Dias dirigia o C4 e, ao lado dele, estaria um dos bandidos. A vítima tinha pelo menos três pistolas e costumava andar armada com uma arma calibre 45 — modelo que desapareceu após o crime. Ele reagiu ao chegar em frente à casa de um vizinho.
O coronel teria disparado contra o bandido sem acertá-lo. O criminoso revidou, também com uma pistola, e, dentro do carro, teria ferido o militar de raspão. Em seguida, o bandido conseguiu puxar Molinas Dias para fora do C4, e os dois entraram em luta corporal. O homem do Gol desceu e, com uma pistola, disparou cerca de 15 vezes na direção do militar. A vítima morreu alvejada por três tiros que acertaram o tórax, o rosto e o braço esquerdo.
Opinião: os mistérios que envolvem o coronel









