O goleiro Bruno destituiu seus advogados de defesa no início do
segundo dia do seu julgamento pela acusação de ter matado sua ex-amannte Eliza Samudio.
— Peço desculpa a todos que aqui estão, mas não me senti seguro, estou destituindo o doutor Rui — anunciou Bruno, referindo-se ao advogado Rui Pimenta.
— Bruno agradeceu o trabalho feito, mas disse que queria mudar de estratégia. Fui pego de surpresa. Vou torcer para que ele seja absolvido — comentou Pimenta, ao deixar o local do julgamento, no Fórum de Contagem, região metropolitana de Belo Horizonte.
O goleiro pediu um novo prazo para constituir outro advogado, o que foi negado pela juíza Marixa Fabiane, que entendeu o pedido como uma manobra para adiar o júri.
— O senhor tem outro advogado, não tem? — questionou a juíza.
Bruno passaria a ser representado pelo Francisco Simim, mas o advogado também foi desconstituído pelo goleiro, alegando que isso poderia prejudicar sua ex-mulher, Dayanne Rodrigues, que também é representado por Simim.
Para conter a manobra, a juíza negou o pedido do Bruno e decidiu julgar Dayanne em outra data, a ser definido, provavelmente junto com Bola. Chorando bastante, Dayanne deixou então a sala do júri e o julgamento de Bruno recomeçou.
Marixa Fabiane abriu o segundo dia do júri aplicando uma multa aos advogados Ércio Quaresma, Fernando Magalhães e Zanone Manuel Júnior, que representavam o ex-policial civil Marcos Aparecido dos Santos, o Bola, e abandonaram o plenário na segunda-feira, o que levou ao desmembramento do processo em relação ao acusado, apontado como executor de Elisa.
Veja como será o julgamentoSegundo Marixa, o abandono do plenário foi feito "sem razão juridicamente relevante". Além da multa de R$ 18.660, equivalente a 30 salários mínimos, ela determinou a comunicação do ato à seção mineira da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB-MG).
— O abandono do plenário pelos advogados do réu é atitude injustificada, que não encontra qualquer respaldo legal, e enseja aplicação de multa. Esse tipo de conduta causa grande prejuízo à sociedade — afirmou a juíza, referindo-se ao gasto de recursos públicos com o "estupendo aparato de segurança" montado para o julgamento, além das despesas com diárias de hotéis para jurados e testemunhas, deslocamento de acusados e com a "movimentação de toda a máquina judiciária" para a realização do julgamento, além do gasto de tempo da própria magistrada e dos servidores mobilizados em torno do caso.
— Fere a ética profissional — avaliou, referindo-se ao abandono do plenário.
Os advogados deixaram o julgamento após uma discussão com a juíza sobre o limite de tempo imposto pela magistrada para a apresentação de questões preliminares, antes mesmo do sorteio dos integrantes do conselho de sentença.
Para o promotor Henry Wagner Gonçalves, a atitude foi uma "manobra frustrada", porque advogados de outros réus também ameaçaram abandonar o plenário, o que poderia forçar o adiamento de todo o julgamento, mas desistiram. O ato também impede os advogados de reassumir a defesa do réu em novo julgamento, mas, ao deixar o Fórum, Quaresma afirmou que recorreria a instâncias superiores da Justiça para permanecer como advogado de Bola.