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Crime em Passo Fundo14/11/2012 | 17h46

“Foi um erro, mas talvez eu fizesse a mesma coisa”, diz filha de empresário que matou assaltante

Jovem de 27 anos relata o drama que passou durante assalto

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“Foi um erro, mas talvez eu fizesse a mesma coisa”, diz filha de empresário que matou assaltante  Fernanda da Costa/Agência RBS
Filha do empresário que matou assaltante relatou o drama vivido em Passo Fundo Foto: Fernanda da Costa / Agência RBS
Com o braço enfaixado e ainda muito dolorido depois de uma cirurgia, a filha do empresário que matou um assaltante relata o drama que passou em Passo Fundo, no norte do Estado.

A jovem, de 27 anos, que trabalha como cabeleireira, revela que sofreu ameaças do assaltante e que ainda teme retaliações, de pessoas ligadas a ele. Por isso, pediu para não ser identificada.

Zero Hora - Como ele abordou você?
Vítima - Eu iria buscar um livro para a minha filha, de 11 anos, e estacionei em uma rua próxima ao colégio dela, na vila Rodrigues. Ele correu em direção ao carro e me apontou uma faca, falando que era um assalto e que eu deveria ficar quieta. Ele entrou no banco traseiro e, apontando a faca para o meu pescoço, me mandou dirigir. Eu estava apavorada. Falava que ele podia levar o carro e todo o dinheiro que eu tinha e implorava para que ele me deixasse ir. Ele falava que eu era muito bonita e que era para continuar dirigindo, pois ele iria me estuprar. Eu fui dirigindo até chegar no interior, não sabia muito bem onde era.

ZH - Quando ele assumiu a direção?
Vítima - Ele ficava falando que era para dirigir mais rápido, mas eu estava tão nervosa que não conseguia. Então ele ordenou que eu parasse o carro e fosse para o banco do passageiro, para ele assumir a direção. Eu pensei em fugir nesta hora, mas ele ficou apontando a faca para mim e pulou rápido para o banco do motorista. Ele entrou em uma estrada do interior e eu fiquei apavorada, só pensava que iria morrer.

ZH - E você reagiu?
Vítima - Sim, foi quando ele começou a passar a mão na minha perna. Eu entrei em pânico e peguei a faca dele. Ele puxou a fala de volta e começamos a brigar. Então ele perdeu o controle do veículo e o carro capotou. Mesmo assim, continuamos a brigar. Eu gritava muito por socorro e vieram pessoas me ajudar. Ele pegou meu celular e meu dinheiro e fugiu. Eu fiquei lá, com as mãos cortadas. Doía muito.

ZH - Ele ameaçou você?
Vítima - No carro ele ficava dizendo que eu era linda e que estava me seguindo, que sabia onde eu morava e que se eu tentasse reagir iria matar minha família.

ZH - Depois você foi para o hospital?
Vítima - Os moradores me ajudaram, porque minhas mãos sangravam muito. Liguei para o meu marido e contei o que tinha acontecido. Meu pai me encontrou e eu fui levada de ambulância para o hospital. Contei a ele que o assaltante tinha fugido e ameaçado nossa família, estava com muito medo que ele pudesse fazer algo com a minha filha.

ZH: Como você soube que seu pai feriu o assaltante?
Vítima -
Minha irmã me contou no hospital. Fiquei lá até esta manhã, porque passei por uma cirurgia na mão.

ZH: E o que você pensa da atitude que ele tomou?
Vítima -
Foi um erro, mas talvez se acontecesse algo assim com a minha filha eu fizesse o mesmo. Eu não consigo nem pensar em algo assim acontecendo com ela. Acho que ele sentiu isso.

ZH: Você ainda tem medo?
Vítima - Tenho. Fiquei sabendo que ele era do semi-aberto, pode ser que alguém venha atrás de nós. Tenho a sensação de que sempre vou ficar olhando para todos os lados, com medo de algo.

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