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Crime na delegacia26/11/2012 | 12h15

“Foi a pior coisa da minha vida”, diz empresário que matou assaltante em Passo Fundo

Paulo Rogério Gonçalves Ribeiro, 48 anos, aguarda julgamento em liberdade

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“Foi a pior coisa da minha vida”, diz empresário que matou assaltante em Passo Fundo Fernanda da Costa/Agência RBS
Empresário deve ir a júri popular pelo homicídio Foto: Fernanda da Costa / Agência RBS

Proprietário de uma transportadora, Paulo Rogério Gonçalves Ribeiro, 48 anos, entrou na sala do advogado com aparência abatida e olhos nervosos. Há duas semanas, ele matou o assaltante que feriu e ameaçou a filha, dentro de uma delegacia em Passo Fundo, no norte do Estado. Em entrevista coletiva concedida no final da manhã desta segunda-feira, empresário revelou o que o motivou a cometer o crime.

Ribeiro aguarda julgamento em liberdade. Ele deve ir a júri popular pelo homicídio. Ao relembrar o dia que classificou como o “pior de sua vida”, o empresário não segurou as lágrimas nos momentos em que relatou as ameaças que a filha sofreu.

Zero Hora — Como o senhor soube que sua filha foi assaltada?
Paulo Rogério Gonçalves Ribeiro —
Eu estava no trabalho, quando meu genro me ligou. Minha filha tinha falado com ele, que estava viajando. Ele me contou que ela foi assaltada e sofreu um acidente, que estava machucada. Eu fiquei muito assustado e fui ao local (na estrada que dá acesso ao distrito de São Roque, no interior de Passo Fundo). Quando cheguei lá, ela estava sendo atendida. Tinha vários cortes nas mãos e estava em pânico. Ela teve muita força e muita coragem em reagir, poderia ter morrido.

ZH — O que ela relatou ao senhor?
Ribeiro —
Ela estava muito abalada. Contou que tinha implorado para ele pegar o carro e o dinheiro e deixar ela ir, mas que ele queria estuprá-la, por isso estavam indo para o interior. Ele disse que estava seguindo ela há alguns dias, que sabia o horário que ela deixava a filha na escola e onde ela morava. Disse também que ela era muito bonita e que iria abusar dela. Se ela tentasse reagir, ele falou que voltaria para se vingar e que mataria ela e a filha. Quando ele fugiu, disse a ela que não tinha "terminado o serviço", que era para ela esperar. Ela ficou muito assustada.

ZH — O que o senhor sentiu ouvindo este relato?
Ribeiro —
Senti medo e raiva. Ele sabia onde minha neta estuda, o horário que ela chega ao colégio. Ele tinha fugido e eu imaginei que ele voltaria para "terminar o serviço", como ele disse. Minha família estava em perigo.

ZH — Quando sua filha foi encaminhada ao hospital, o senhor foi à delegacia. O que aconteceu quando o assaltante chegou?
Ribeiro —
Eu fui à delegacia sozinho, para registrar a ocorrência. Estacionei minha caminhonete em frente ao local e fiquei lá esperando. Um tempo depois, a Brigada Militar chegou com o assaltante. Falaram que era ele que tinha assaltado e ferido a minha filha. Eu perguntei: “Por que você fez isso com a minha filha? Você podia ter levado o dinheiro e o carro”. Ele passou por mim e riu, debochou da minha cara. Eu perdi o controle. Voltei ao carro e peguei meu canivete de pescaria, que eu sempre deixo na caminhonete.

ZH — O senhor invadiu a sala de triagem da delegacia e agrediu o assaltante detido. Tinha a intenção de matar?
Ribeiro —
Não. Eu estava com muita raiva, perdi a cabeça. Foi um golpe só e depois socorreram ele. Eu fiquei na delegacia, detido. Quando souberam que ele morreu no hospital eu fui preso e levado ao presídio.

ZH — O senhor se arrepende?
Ribeiro —
Sim, foi a pior coisa da minha vida. Eu não faria de novo, estava com raiva e sabia que ele queria se vingar da minha filha, que reagiu. Ele era do semiaberto, já tinha cometido vários crimes. Sabia que ele poderia ser solto depois e voltar para matar minha filha e minha neta.



ZH — O senhor ainda teme pela segurança de sua família?
Ribeiro —
Sim, pois alguém pode querer vingar a morte dele e prejudicar mais a minha família. Minha filha não leva mais a minha neta na escola sozinha, sempre tem que ter alguém para acompanhar ela.

ZH — O que mais mudou na rotina da família?
Ribeiro —
Depois disso, só dormimos se tomamos calmantes. Para superar o que aconteceu, também procuramos ajuda de psicólogos. Eu e minha filha vamos começar o tratamento nesta terça-feira. Na escola, a minha neta, de 11 anos, recebe acompanhamento psicológico desde que o fato aconteceu. Ela se sente culpada por tudo, já que a mãe foi atacada quando iria buscar um livro para ela.

ZH — Muitas pessoas escreveram mensagens de apoio ao senhor nas redes sociais. O que pensa sobre isso?
Ribeiro —
Não olhei muito os jornais e as redes sociais, mas fiquei sabendo do apoio. Eu acho que não é uma aprovação pelo que eu fiz, acho que é mais um protesto pela falta de segurança. Minha filha foi atacada de manhã. Não podemos mais levar nossos filhos no colégio sem ficar com medo, podemos ser atacados a qualquer hora. Acho que o fato de ele ser do semiaberto revoltou a população. Ele cometeu crimes antes e continuava a cometer, enquanto deveria estar trabalhando. Alguma coisa está muito errada em nossa sociedade para deixar uma pessoa assim em liberdade.

ZH — O senhor deve ir a júri popular. Espera ser absolvido?
Ribeiro —
Isso eu vou deixar a justiça decidir, não quero opinar. Meu advogado está trabalhando na defesa.

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