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Crime na Capital05/11/2012 | 18h08

Digitais podem identificar matadores de coronel do Exército

Molinas Dias, 78 anos, foi morto a tiros quando chegava em casa em Porto Alegre

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Digitais podem identificar matadores de coronel do Exército Diego Vara/Agencia RBS
Gol encontrado na noite de domingo no bairro Chácara das Pedras passou por perícia Foto: Diego Vara / Agencia RBS

Impressões digitais são consideradas pela polícia uma importante pista para elucidar a morte do coronel reformado do Exército Julio Miguel Molinas Dias, 78 anos, assassinado a tiros quando chegava de carro em sua casa na noite de quinta-feira passada, no bairro Chácara das Pedras, em Porto Alegre.

Marcas de dedos deixadas por suspeitos em dois veículos — o C4 da vítima e em um Gol que teria sido usado pelos bandidos — estão sendo comparadas com as cadastradas no banco de dados da Secretaria de Segurança Pública.

O crime ganhou repercussão nacional porque Molinas Dias foi chefe do Destacamento de Operações de Informações - Centro de Operações de Defesa Interna (DOI-Codi), no Rio de Janeiro, e estava à frente do órgão quando houve o desastrado atentado com explosivo no Riocentro, em 1981, praticado por militares — um sargento morreu e um capitão ficou ferido.

Ainda não existe prazo para a conclusão da análise das impressões digitais. O resultado pode demorar, dependendo da qualidade dos fragmentos encontrados nos veículos. A identificação dos criminosos é o primeiro passo para apurar o motivo do crime: tentativa de assalto frustrada ou um assassinato sob encomenda. Além das digitais, agentes da 14ª Delegacia da Polícia Civil procuram imagens de câmeras de vigilância instaladas em prédios e residências nos arredores do local do crime. A polícia também encaminhou pedidos de quebra de sigilo telefônico do militar para verificar os números que ele ligou ou recebeu chamadas nos últimos dias antes de morrer.

— Seguimos não descartando nenhuma hipótese — reafirma o delegado Luís Fernando Martins Oliveira.

Uma das linhas de investigação apontam que o coronel teria sido vítima de uma quadrilha de assaltantes de carros e de residências que atua em áreas nobres da Capital. Ele teria sido atacado após visitar o apartamento de uma das filhas no bairro Petrópolis e obrigado a ir até sua casa, levando um dos bandidos no banco do carona. Atrás do C4 do militar, seguia um Gol vermelho com pelo menos um homem ao volante.

Dono de pelo menos três pistolas registradas em seu nome, Molinas Dias andava sempre armado e, quando se aproximava de casa, na Rua Professor Ulisses Cabral, teria reagido. Ele estaria com uma pistola calibre 45 — modelo que costumava usar e e que desapareceu após o crime.

O coronel teria disparado contra o bandido sem acertá-lo. Também com uma pistola, o criminoso revidou, podendo ter ferido o militar no braço esquerdo. Em seguida, o bandido conseguiu puxar Molinas para fora do C4, e os dois entraram em luta corporal. O homem do Gol desceu do carro e disparou cerca de 15 vezes na direção do coronel que morreu alvejado por três tiros que acertaram o tórax e o rosto, além do braço esquerdo. A dupla fugiu no Gol, possivelmente, levando apenas a arma do militar.

Comando Militar do Sul acompanha o caso

O dono de um Gol vermelho, roubado em 14 de outubro, na Rua Professor Ulisses Cabral, a mesma onde morava Molinas Dias, prestou depoimento nesta segunda-feira. Ele olhou fotos de ladrões no arquivo da polícia, mas não reconheceu suspeitos. O carro foi apreendido na noite de domingo, estacionado na mesma região onde o coronel foi morto. Estava com placas clonadas de um Gol vermelho, licenciado em Caxias do Sul.

A cúpula de Polícia Civil está preocupada com o caso. Na manhã desta segunda, o delegado da 14ª DP foi chamado ao Palácio da Polícia para fazer um relato das investigações ao chefe de Polícia, Ranolfo Vieira Junior. À tarde, integrantes do Serviço de Inteligência do Comando Militar do Sul (CMS) tinham um encontro com o delegado.

— O Exército tem preocupação com seus integrantes e acompanha com interesse a todos os casos que envolvam militares. Estamos mantendo Brasília informada. Consideramos o crime um caso de polícia e confiamos no trabalho dos investigadores — afirmou o coronel James Bolfoni da Cunha, chefe da comunicação social do CMS.

 

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