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Entrevista22/11/2012 | 17h02

"Deveriam investigar os dois lados, não um só", diz ex-presidente do Clube Militar

General Gilberto Figueiredo reconhece a importância dos documentos revelados por ZH e sugere que eles sejam examinados por "gente isenta"

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Gaúcho de Porto Alegre, ex-comandante militar em Uruguaiana (onde atuava na Cavalaria), o general da reserva Gilberto Barbosa de Figueiredo, 74 anos, é uma espécie de porta-voz informal da caserna. Presidiu durante quatro anos o Clube Militar, entidade sediada no Rio e reconhecida como local de posicionamento político para integrantes das Forças Armadas, especialmente os aposentados — que aí podem manifestar opiniões contundentes.

E contundentes são as manifestações de Figueiredo, nesta entrevista concedida por telefone a Zero Hora, desde o Rio, a respeito da descoberta de documentos que comprovam a prisão clandestina do ex-deputado Marcelo Rubens Paiva:

Zero Hora — O que o senhor acha da descoberta desses documentos? O Exército sempre falou que Rubem Paiva desapareceu. Agora surgem provas documentais de que ele sumiu após ser preso pelos militares, no DOI-Codi do Rio...

General Gilberto Figueiredo —
Tenho acompanhado o caso do assassinato do meu colega, o coronel Molinas, aí no Rio Grande do Sul. Tudo parece indicar um assalto. Agora surgem esses documentos, encontrados na casa dele. Não tive acesso ao material, então não posso me aprofundar. Mas não posso negar a importância desses papéis. Devem ser autênticos. E, como tal, merecem ser examinados por historiadores, por gente isenta e não engajada politicamente.

ZH — O senhor acha que a Comissão da Verdade tem esse pessoal isento? General Figueiredo — Olha, os documentos devem ir para lá, claro. Mas gostaria que a Comissão da Verdade investigasse os dois lados, não um só. Olhasse também os fatos obscuros e crimes relacionados aos guerrilheiros de esquerda. As bombas colocadas em filas de banco, que mataram inocentes, por exemplo.

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