Promotores e policiais têm um trunfo na repressão ao jogo do bicho e a exploração de caça-níqueis no Estado.
A nova legislação, em vigor desde julho, permite que autoridades enquadrem contraventores por lavagem de dinheiro – um crime cuja pena pode alcançar 10 anos.
A série de reportagens publicada em Zero Hora entre domingo e quarta-feira revelou o poder da contravenção no Estado. Organizados e corruptores, contraventores alteraram suas rotinas e a natureza dos seus negócios, reinventaram-se e hoje faturam fortunas na ilegalidade.
— Era muito difícil provar o envolvimento deles em outro tipo de crime que não fosse a contravenção. A situação mudou a nosso favor, com a promulgação da nova lei de lavagem de dinheiro. Ela mudou tudo. Antes, precisávamos vincular o dinheiro conseguido por eles a um crime mais sério do que a contravenção. Agora não — diz o promotor José Francisco Seabra Mendes Júnior, coordenador da Força-Tarefa de Combate aos Jogos Ilícitos.
Conforme Seabra, Basta o dinheiro ser ganho de maneira ilícita que seja permitido à Justiça uma série de medidas (como mandados de busca e apreensão em casa de bicheiro) que auxiliam a seguir o dinheiro e permitam a condená-los por lavagem e outros crimes.
A criação da Força-Tarefa de Combate aos Jogos Ilícitos, pelo Ministério Público, em 2002, levou os bicheiros a mudarem sua estrutura de atuação. Antes, eles se organizavam em grupos, sendo que o maior deles era a Associação dos Bicheiros de Porto Alegre. Integrada por 11 líderes, contava com uma organização empresarial e operava em um sobrado na Cidade Baixa, na Capital, espécie de fortaleza onde eram armazenadas informações sobre o cotidiano da jogatina.








