Acusado de matar a mulher e o filho, o bioquímico e empresário Ênio Luiz Carnetti, 46 anos, é plenamente capaz de compreender seus atos.
Esta é a conclusão de um exame de sanidade mental ao qual Carnetti foi submetido, e cujo resultado pode levá-lo a júri popular. Se o diagnóstico fosse diferente, Carnetti poderia, em uma eventual condenação, ter a pena abrandada ou ser punido com uma medida de segurança e recolhido ao Instituto Psiquiátrico Forense (IPF).
Até ser conhecida a conclusão do exame de sanidade, assinado por uma equipe de peritos do IPF, o processo estava suspenso. Agora, o Ministério Público solicitou que seja marcada a primeira audiência para interrogatório de testemunhas.
— No meu entender, não tinha necessidade do exame. Ele (Carnetti) é empresário, dono de laboratório. Cometeu o crime de caso pensado — afirma a promotora Lúcia Helena de Lima Callegari.
A avaliação psiquiátrica foi solicitada pelo advogado Fabricio Peruchin, defensor do bioquímico. Por ciúmes da mulher, Carnetti matou a enfermeira Márcia Cambraia Calixto Carnetti, 39 anos, e o filho do casal, Matheus, de cinco anos. O crime ocorreu em 24 de julho, na casa da família, na zona sul de Porto Alegre.
Logo em seguida, o bioquímico desferiu golpes de faca contra o próprio peito e se jogou de uma ponte do Guaíba, atentando contra a própria vida. Mas ele foi resgatado por pescadores e atendido no Hospital de Pronto Socorro.
Após nove dias internado sob escolta, Carnetti foi levado para o IPF. Lá, segundo Peruchin declarou à época, o bioquímico foi avaliado por um psiquiatra que teria apontado “risco concreto de suicídio”.
Em 25 de outubro, Carnetti foi transferido do IPF para o Presídio Central de Porto Alegre, onde deverá aguardar o andamento do processo.
Resultado de perícia não surpreende irmão de vítima
O bioquímico é acusado de duplo homicídio por motivo torpe (não aceitar a separação conjugal), meio cruel (aplicar golpes não letais para causar sofrimento em Márcia) e uso de recurso que dificultou a defesa das vítimas (estavam dormindo). Rafael Calixto, irmão de Márcia, recebeu o resultado do exame sem surpresa. Ele afirma nunca ter duvidado de que o ex-cunhado é mentalmente sadio:
— É uma pessoa meticulosa, oficial da reserva do Exército, fazia bons negócios. A única forma de ele se defender, tentando escapar de cumprir pena em presídio, era se dizer insano.
Conforme Calixto, o laudo de sanidade deverá ser usado em favor da família de Márcia em processo cível.
Zero Hora ligou para o escritório do advogado Fabrício Peruchin, deixou recado com a secretária do defensor de Carnetti, mas ele não retornou aos chamados.












