Versão mobile

Tragédia familiar30/11/2012 | 04h36

Bioquímico acusado de matar mulher e filho poderá ir a júri popular

Laudo psicológico atesta que empresário Ênio Luiz Carnetti, 46 anos, é capaz de compreender seus atos

Enviar para um amigo
Acusado de matar a mulher e o filho, o bioquímico e empresário Ênio Luiz Carnetti, 46 anos, é plenamente capaz de compreender seus atos.

Esta é a conclusão de um exame de sanidade mental ao qual Carnetti foi submetido, e cujo resultado pode levá-lo a júri popular. Se o diagnóstico fosse diferente, Carnetti poderia, em uma eventual condenação, ter a pena abrandada ou ser punido com uma medida de segurança e recolhido ao Instituto Psiquiátrico Forense (IPF).

Até ser conhecida a conclusão do exame de sanidade, assinado por uma equipe de peritos do IPF, o processo estava suspenso. Agora, o Ministério Público solicitou que seja marcada a primeira audiência para interrogatório de testemunhas.

— No meu entender, não tinha necessidade do exame. Ele (Carnetti) é empresário, dono de laboratório. Cometeu o crime de caso pensado — afirma a promotora Lúcia Helena de Lima Callegari.

A avaliação psiquiátrica foi solicitada pelo advogado Fabricio Peruchin, defensor do bioquímico. Por ciúmes da mulher, Carnetti matou a enfermeira Márcia Cambraia Calixto Carnetti, 39 anos, e o filho do casal, Matheus, de cinco anos. O crime ocorreu em 24 de julho, na casa da família, na zona sul de Porto Alegre.

Logo em seguida, o bioquímico desferiu golpes de faca contra o próprio peito e se jogou de uma ponte do Guaíba, atentando contra a própria vida. Mas ele foi resgatado por pescadores e atendido no Hospital de Pronto Socorro.

Após nove dias internado sob escolta, Carnetti foi levado para o IPF. Lá, segundo Peruchin declarou à época, o bioquímico foi avaliado por um psiquiatra que teria apontado “risco concreto de suicídio”.

Em 25 de outubro, Carnetti foi transferido do IPF para o Presídio Central de Porto Alegre, onde deverá aguardar o andamento do processo.

Resultado de perícia não surpreende irmão de vítima

O bioquímico é acusado de duplo homicídio por motivo torpe (não aceitar a separação conjugal), meio cruel (aplicar golpes não letais para causar sofrimento em Márcia) e uso de recurso que dificultou a defesa das vítimas (estavam dormindo). Rafael Calixto, irmão de Márcia, recebeu o resultado do exame sem surpresa. Ele afirma nunca ter duvidado de que o ex-cunhado é mentalmente sadio:

— É uma pessoa meticulosa, oficial da reserva do Exército, fazia bons negócios. A única forma de ele se defender, tentando escapar de cumprir pena em presídio, era se dizer insano.

Conforme Calixto, o laudo de sanidade deverá ser usado em favor da família de Márcia em processo cível.

Zero Hora ligou para o escritório do advogado Fabrício Peruchin, deixou recado com a secretária do defensor de Carnetti, mas ele não retornou aos chamados.

Comentar esta matéria Comentários (0)

Esta matéria ainda não possui comentários

Siga os perfis de ZH no Twitter

clicRBS
Nova busca - outros