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Madrugada de terror11/11/2012 | 22h27

Assaltantes mantêm família refém para roubar joalheria em Canoas

Quatro pessoas foram mantidas sob mira de revólveres durante 17 horas

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Funcionário público aposentado, Edir Comassetto, 63 anos, assistia ao segundo tempo de Botafogo e Portuguesa, na noite de sábado, quando homens encapuzados, armados com pistolas, invadiram a residência, no centro de Canoas, e o renderam. Segundos depois, a dona de casa Maria Helena, 58 anos, mulher de Comassetto, também seria detida.

Começava às 20h30min pouco mais de 17 horas de terror que envolveriam, ainda, o filho do casal, Lúcio Comassetto, 39 anos, a companheira dele, Greice Kelly de Oliveira Quadros, 24 anos, e resultaria em um ataque a uma joalheria no Canoas Shopping e só se encerraria às 14h deste domingo.

Como de hábito nas noites de sábado, Lúcio saíra da casa do pai, na Rua Rio de Janeiro, distante cerca de cem metros do trabalho de Greice, para buscar a jovem, funcionária da Quarzzo Joias. A porta, nessas ocasiões, ficava aberta — o que facilitou a ação dos bandidos.

— Moro há mais de 30 anos e nunca tivemos problemas — justifica Comassetto, que foi paraquedista do Exército antes de ingressar na carreira pública no Estado.

Sem encontrar resistência, os dois assaltantes usaram capuz para vendar Comassetto e Maria Helena e avisaram:

— Não queremos nada com vocês. Queremos o cofre da loja.

Os bandidos imaginavam que o filho e a nora fossem donos da Quarzzo — Greice é uma das funcionárias do estabelecimento.

Sem sucesso, os assaltantes esperaram a chegada do casal. Quando os dois ingressaram na casa, também foram imobilizados. Com toda família rendida, os ladrões acabaram de revirar o imóvel e decidiram, no meio da madrugada, levar os Comassetto para um cativeiro fora da casa.

— Nos colocaram dentro de um carro e nos levaram para o meio do mato — recorda Comassetto.

A intenção, além de separar o grupo, era assustar Greice, que permaneceu sozinha dentro da casa.

— Eles diziam que se ela não os levassem até a loja, nos matariam — complementa.

Comassetto, Lúcio e Maria Helena permaneceram em um matagal nos confins do bairro Mathias Velho, periferia de Canoas. Sob a fúria dos mosquitos e os humores do clima (castigados pela chuva na madrugada e pelo sol escaldante da manhã), permaneceram imobilizados até as 14h. Pelo menos três homens armados ameaçavam as vítimas.

Um pouco antes, no momento em que o shopping abriu as portas, Greice, obrigada pelos bandidos, foi até a loja e retirou joias do cofre. Enquanto realizava a operação, um criminoso ficou na vitrina, atemorizando a jovem. Os proprietários não souberam informar o valor do prejuízo. Após saírem do Canoas Shopping, Greice e o cunhado (rendido pouco antes dos bandidos se deslocarem ao shopping) foram deixados na rodovia Tabaí-Canoas. Instantes depois, o veículo de Lúcio, um C3 preto, utilizado pelos bandidos, foi incendiado. Antes de a família ser liberada, alguém ordenou:

— Contem até 400 e sumam daqui.

Neste domingo, Maria Helena permanecia em casa, abalada. Comassetto acredita que a mulher precisará de ajuda psicológica devido ao abalo sofrido. Por volta das 20h, Greice, Comassetto e o dono do estabelecimento ainda prestavam informações sobre o episódio na Polícia Civil de Canoas.

— É uma extorsão mediante sequestro bem planejada, em uma ação demorada, que contou com criminosos preparados. É bem provável que sejam pessoas que já têm iniciação nesse tipo de crime — disse Cinara Stornovski Freitas, delegada plantonista da Delegacia de Pronto Atendimento de Canoas.

Pelo menos cinco pessoas teriam participado da ação. O crime será investigado pela 1ª Delegacia da Polícia Civil de Canoas.

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