Em entrevista à Rádio Gaúcha na manhã deste sábado, a ministra dos Direitos Humanos, Maria do Rosário, afirmou que vai acompanhar as investigações sobre o caso do morador de rua que teve 85% do corpo queimado em Caxias do Sul na noite de sexta-feira. Ele está internado em estado gravíssimo.
— É um caso que deve indignar a todos e a polícia deve levar adiante a investigação. Vamos procurar as autoridades e nos colocar à disposição — ressaltou a ministra.
Segundo ela, um levantamento recente indica que 111 moradores de rua foram mortos entre junho de 2011 até março de 2012. Os dados do Centro Nacional de Defesa dos Direitos Humanos da População em Situação de Rua e Catadores revelam ainda que queimaduras são a segunda causa desses óbitos, perdendo apenas para as armas de fogo.
— Essas pessoas não têm armas de fogo. Então, devemos afastar aquela ideia de que se trata de uma briga entre moradores de rua — argumento Maria do Rosário.
Conforme a ministra, a região Nordeste — em especial, Alagoas e Bahia — tem preocupado as autoridades por ter registrado boa parte dos casos recentes.
Os ataques, no entanto, seriam uma prática disseminada em todo o país. Em Brasília foram três casos apenas neste ano — comenta.
As investigações acompanhadas pela ministra apontam que os crimes estão relacionados a "brincadeiras perversas sem limites" e "extermínio", praticado por pessoas que se sentem incomodadas. Não há casos de grupos de extermínio.
Carlos Miguel dos Santos, 45 anos, estava dormindo em um barraco na esquina das ruas Isidoro Mary e Jacinto Madalozzo, no bairro Pio X, em Caxias do Sul, por volta das 21h40min de sexta-feira, quando alguém teria ateado fogo no casebre. A polícia investiga três suspeitos que foram vistos andando pelo local pouco antes do incidente.







