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Efeito colateral06/07/2012 | 05h52

Ataques a automóveis segurados crescem 30% no primeiro semestre na Capital, mostra levantamento

Números apontados por sindicato das seguradoras, no entanto, contradiz estatísticas da Polícia Civil

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Um levantamento do Sindicato das Seguradoras no Rio Grande do Sul aponta que o furto e o roubo de veículos com seguro aumentou mais de 30% em Porto Alegre no primeiro semestre, na comparação com o mesmo período do ano passado. É uma situação que pesa no bolso não só de quem tem o veículo levado pelos bandidos, mas de todo proprietário de veículo que faz uma apólice.

Com o aumento nos roubos, Porto Alegre, que já tinha um dos seguros veiculares mais caros do Brasil, vai pagar ainda mais por ele. Conforme a pesquisa do sindicato, a média atual é de 1,25 carro roubado para cada cem na Capital e na Grande Porto Alegre. No ano passado, o indicador estava em torno de 0,90.

O índice de roubos dita cerca de 15% da tarifa. O valor a mais a ser desembolsado varia conforme uma série de fatores, incluindo o modelo do veículo e até mesmo a região da cidade onde vive o proprietário. O levantamento reflete a situação de 12 seguradoras que atuam no setor.

— Em 2012, houve uma virada grande. É óbvio que esse aumento do furto e do roubo tem impacto no preço do seguro. As seguradoras fazem acompanhamento mensal dos números — afirma o presidente do sindicato Julio Cesar Rosa.

Veículos novos estão entre os mais visados

Os números das seguradoras contradizem as estatísticas oficiais. Conforme a Polícia Civil, Porto Alegre teve queda de 20% nos casos no primeiro quadrimestre deste ano, em comparação com 2011. A delegada Vivian do Nascimento, da Delegacia de Repressão ao Roubo de Veículos (DRV), vinculada ao Departamento Estadual de Investigações Criminais (Deic), contesta os dado das seguradoras.

— É mentira. Os dados da Polícia Civil são os mais fidedignos — afirma.

Segundo a delegada, a estatística do sindicato pode sofrer distorções por levar em conta só os carros que estão no seguro (cerca de metade da frota da Capital) e em consequência de fraudes cometidas por segurados.

Os carros mais roubados, segundo o sindicato das seguradoras, são os mais novos, com no máximo três anos de fabricação. Julio Cesar Rosa afirma que a situação mais comum é a abordagem ao motorista no momento em que ele sai ou volta para casa.

Rota de fuga determina o mapa dos crimes

Os casos em que as seguradoras foram acionadas em razão do furto ou roubo de um veículo ajudam a traçar um perfil desses crimes na Região Metropolitana.

O levantamento do Sindicato das Seguradoras no Rio Grande do Sul revela, por exemplo, que entre 70% e 80% dos ataques da Capital concentram-se na área central da cidade ou em bairros da Zona Norte. Depois, surgem como campeões de ocorrências municípios vizinhos, entre eles Alvorada, Gravataí, Canoas e Cachoeirinha.

O presidente da entidade, Julio Cesar Rosa, associa essa concentração à proximidade dos desmanches. Segundo ele, há uma tendência de que sejam roubados principalmente carros cujas peças estão em falta no mercado:

— A indústria do crime trabalha focada. Os desmanches e lojas de peças usadas concentram-se na zona norte de Porto Alegre e nos municípios vizinhos. Por isso, os criminosos atuam nessas regiões.

Bandidos usam carros em novos crimes ou desmanche

A delegada Vivian do Nascimento não acredita que os crimes sejam realizados em determinadas áreas pela proximidade com os desmanches. Ela diz que áreas como a zona norte de Porto Alegre são preferidas pela facilidade de fuga.

— A maioria das quadrilhas é da Região Metropolitana. Os roubos ocorrem na Zona Norte porque dali é mais fácil sair da cidade. A Zona Sul, em contraste, é um brete, não tem muitas saídas — analisa.

Os números das seguradoras apontam ainda que os roubos são cometidos principalmente para uso do carro em outro crime, para desmanche e para clonagem. Uma outra tendência levantada é de que os ataques são feitos cada vez mais por um grupo de três criminosos — um deles de moto.

— Antes, eram mais frequentes as ações em duplas — observa Julio Cesar.

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