Versão mobile

Menina raptada21/06/2012 | 05h33Atualizada em 21/06/2012 | 06h10

Família de jovem mantida 17 anos em cárcere privado se diz surpresa e aliviada

Mãe de vítima afirma jamais ter perdido as esperanças em quase duas décadas de martírio

Enviar para um amigo
Família de jovem mantida 17 anos em cárcere privado se diz surpresa e aliviada André Redlich/O Fluminense
A jovem de 28 anos prestou queixa de abuso sexual contra a filha que teve com Carlos Alberto Foto: André Redlich / O Fluminense

— Boa tarde, é a senhora J. (o nome é omitido para preservar a identidade da vítima de abusos) ao telefone?

— Sim.

— Estou ligando porque sou repórter da Zero Hora e acabo de entrevistar uma jovem, que estava desaparecida. Ela disse ser sua sobrinha.

— (Choro) Eu não acredito que vocês acharam ela.

— Sim. Ela mora no Rio e diz que foi raptada pelo padrasto há 17 anos.

— (Choro compulsivo). Meu Deus, mas que notícia boa!

Zero Hora manteve o diálogo acima com uma pedagoga de 39 anos, tia da jovem mantida sob cárcere desde 17 de março 1995.

— Meus pais e meus irmãos achavam que ela estava morta — surpreende-se a educadora.

A pedagoga e a sobrinha eram apegadas. Em fevereiro de 1995, um mês antes do desaparecimento, a menina pediu para morar com a tia.

— Eu cheguei a conversar com a minha irmã, mas tanto ela quanto o padrasto não aceitaram a ideia. Eu fiquei com um péssima impressão dele — conta.

Como de hábito, as últimas férias da menina foram na casa da tia, em Charqueadas, sob os mimos dos tios e avós:

— Antes de ir embora, ela deixou um bilhete para o meu marido: "Tio, cuida bem da minha tia e não faz ela sofrer". Era um sinal.

No dia seguinte ao desaparecimento, uma ocorrência foi registrada na Delegacia da Polícia Civil de Alvorada, cidade onde residiam. No registro, firmado às 11h do dia 18 de março - cerca de 17 horas após o sumiço -, ela diz que o marido "raptou a menor" e que ele "já havia pousado em hotel com a vítima", então com 11 anos.

Moradora da Vila Bom Jesus, a mãe da menina, uma mulher de 49 anos, soube do paradeiro da filha por volta das 15h30min de ontem.

— Fiquei muito feliz. Espero vê-la em breve — diz a mulher, que à época distribuiu cartazes com foto pela vizinhança.

Em quase duas décadas de martírio, ela jamais perdeu as esperanças:

— Uma cartomante me disse que ela estava viva, sofrendo e que tinha três filhos. Agora, que ela e os meus netos voltem para Porto Alegre.

Radicada em Itaboraí, a jovem ainda não sabe como agirá diante da mãe. Em entrevista a ZH, ela adiantou:

— Eu disse para ela que ele (o padrasto) me assediava. Quero que ela veja o que a decisão dela causou na minha vida.

Comentar esta matéria Comentários (0)

Esta matéria ainda não possui comentários

Siga os perfis de ZH no Twitter

  • zerohora

    zerohora

    Zero HoraAcidente na BR-116 deixa um morto na madrugada desta sexta-feira. http://t.co/SQyovEH8Tuhá 1 horaRetweet
  • zerohora

    zerohora

    Zero HoraObama lamenta a morte do escritor Gabriel García Márquez: http://t.co/XhYaDM6g9jhá 2 horas Retweet
clicRBS
Nova busca - outros