PMs o teriam sequestrado em frente ao prédio que concentra cinco delegacias na cidade para que não registrasse suposta negligência de colegas no atendimento de uma ocorrência. Homossexual assumido, o promotor de vendas teria sido agredido e humilhado durante 45 minutos. Os ataques teriam ocorrido dentro de uma viatura e de um módulo da Brigada Militar.
Acreditando ser vítima de homofobia e de preconceito, o rapaz procurou a Polícia Civil. Ele fez exame de lesão corporal, que atestou ferimentos.
O inquérito policial indiciando seis PMs está sob análise do Judiciário. Cópia do inquérito da Civil foi encaminhada à Corregedoria da BM, em Porto Alegre. Os PMs seguem trabalhando.
A vida do rapaz mudou minutos antes das 22h do dia 11 de fevereiro. Ele estava no Parque dos Macaquinhos, no centro de Caxias, e disse ter encontrado uma jovem. Enquanto caminhavam, teriam sido alvo de comentários homofóbicos por usuários do parque.
O jovem foi até o módulo da BM, no próprio parque. Ele relatou a situação a uma policial e pediu que ela conversasse com os autores da agressão verbal. A brigadiana teria dito não poder sair do módulo — e xingado o rapaz.
Neste instante, apareceu outra policial, sem farda. Após ouvir a versão da colega, teria golpeado o rosto do rapaz com um revólver. O jovem disse que iria à delegacia registrar ocorrência. No plantão, informado de que não havia policiais para registrar seu caso, saiu para fumar. Desceu um lance de escada até o térreo da DP, e usou o celular. Três brigadianos desembarcaram de uma viatura e um deles teria arrancado-lhe o telefone da mão. O promotor afirmou estar ali para fazer um registro contra duas colegas dos PMs.
Jovem disse ter ficado com medo de morrer
Levado até a viatura, o jovem teria sido agredido enquanto o carro deixava o estacionamento da DP. Ninguém percebeu que uma câmera de vigilância gravava a cena.
Algemado no banco traseiro, o jovem teria sido soqueado no braço e no tórax. Segundo ele, a viatura entrou no Parque dos Macaquinhos e parou ao lado do módulo da BM.
Pelo próprio relato, o promotor foi posto em um banco e assistiu aos PMs esvaziarem sua bolsa. Eles o teriam chamado de "veado" e de "bicha", afirma. Conforme o rapaz, os policiais diziam que era desta forma que se tratava homossexuais. Ao informar ser morador da Zona Norte, teria sido chamado de "favelado". De acordo com o rapaz, apenas um dos seis PMs indiciados não o agrediu.
Depois de quase 40 minutos, o rapaz foi liberado sem a Carteira de Identidade e o celular. Quando um policial abriu a tranca das algemas, o jovem recolheu seus objetos e correu. Decidiu voltar à delegacia. No corredor da delegacia, chamou um policial civil, que teria lhe dados as costas e entrado no prédio. O jovem caiu de joelhos antes de entrar na delegacia. Toda a sequência está gravada.
Quando chegou ao saguão da DP, o mesmo policial encontrado no corredor teria afirmado que ali ninguém faria registro contra a BM. O policial teria aconselhado o rapaz a não retornar.
A conduta do policial é investigada em um inquérito separado. Os PMs envolvidos no caso registraram ocorrência relatando que o jovem invadira o posto da BM nos Macaquinhos, transtornado, e teria tentado agredir uma PM.












