Ao realizar, em maio passado, uma megaoperação contra o desvio de dinheiro destinado à compra de medicamentos para famílias de baixa renda, a Polícia Federal sinalizou uma mudança na sua estratégia de combate ao crime no Estado.
Nove meses depois da ação que resultou na prisão de mais de 60 pessoas, a maioria empresários e servidores públicos, um relatório produzido em Brasília revela uma nova orientação da corporação no Rio Grande do Sul: prender o maior número possível de criminosos ainda durante a investigação.
Saiba mais: a atuação da Polícia Federal em 2011
As operações agora se concentram na desarticulação de quadrilhas de narcotraficantes e de bandos especializados na apropriação de recursos públicos.
Depois de um primeiro semestre de apenas nove operações no Rio Grande do Sul, a unidade gaúcha da PF, sob o comando do delegado federal Rosalvo Pereira Franco, que substituiu Ildo Gasparetto em junho, encerrou 2011 como a superintendência estadual que mais realizou prisões — 303 contra 225 do Paraná, segundo lugar no ranking nacional — e a segunda em números de operações, perdendo apenas para Minas Gerais por 32 a 29.
Nova estratégia levou ao aumento nas prisões
De perfil reservado, Rosalvo preferiu não avaliar publicamente o desempenho de seus policiais. Escolheu o delegado regional de Combate ao Crime Organizado, Mauro Vinicius Soares de Moraes, para falar sobre as 20 ações realizadas entre junho e dezembro que alçaram a equipe gaúcha ao topo do ranking de prisões da PF no país.
— O principal objetivo de nossas operações hoje é manter fora das ruas o maior número de criminosos e pelo maior tempo possível. Não adianta só inquérito bem feito, que leve a uma condenação do suspeito ao final do processo. Ao final de cada inquérito, queremos alcançar também o maior número de prisões preventivas ou flagrantes. Com isso, manteve atrás das grades criminosos que ficariam livres durante a instrução do processo — explica o delegado Mauro Vinicius.
A estratégia de abreviar o caminho dos bandidos até a cadeia levou ao aumento de 18,2% no número de presos por operação no Rio Grande do Sul. Ou seja, apesar da queda de 18% no volume de operações entre 2010 e 2011 — de 33 para 29 —, a captura de criminosos se manteve constante (veja quadro).
No Brasil, a redução de 30,8% no total de prisões fez despencar a relação entre presos e operações para 7,8.












