O taxista Olívio Rodrigues dos Santos, 68 anos, internado com traumatismo craniano, foi transferido hoje para o Hospital Dom João Becker, em Gravataí, na Região Metropolitana.
Além de Santos, outros quatro civis e três PMs ficaram feridos após uma abordagem policial, em Capão da Canoa, cujas circunstâncias, ainda nebulosas, estão sendo investigadas pela Polícia Civil.
- Infelizmente, não dá para separar, numa ocorrência policial, quem tem mais de 60 - justifica o tenente-coronel Paulo Ricardo Garcia, comandante do 2º Batalhão de Policiamento de Áreas Turísticas.
As agressões ocorreram na noite de domingo quando PMs realizavam blitz, no bairro Santa Luzia, que visava a coibir ação de assaltantes com um uso de motocicletas - uma ocorrência cada vez mais comum no município.
Por volta das 20h, o jovem Pablo Lessa dos Santos, 23 anos, teria sido perseguido ao tentar fugir da abordagem. PMs o seguiram até a residência de Santos, na Rua Gaspar Grizza. A partir deste momento, há duas versões para o que aconteceu.
De acordo com o tenente João Padilha Dias, oficial de serviço, um policial teria sido agredido por um grupo de moradores e familiares de Santos.
- Outros 10 PMs chegaram para socorrer o colega. No pátio da residência, também foram agredidos e revidaram. Tem um colega nosso com traumatismo craniano e fratura na clavícula (soldado Herisson Moura, que já foi liberado) - conta o tenente.
A versão dos moradores é diferente. De acordo com a auxiliar de serviços gerais Juraci Lessa dos Santos, 54 anos, mãe de Pablo, após uma briga no pátio, PMs teriam invadido a residência, expulsado as mulheres e agredido os homens que estavam na casa.
- Começaram a bater no pessoal. O meu marido (Luiz Rodrigues dos Santos, 54 anos), que é um homem velho e doente, apanhou. O Olívio (taxista Olívio Rodrigues dos Santos), homem de idade, que tem cabelos brancos, também apanhou - diz.
Pela versão de Juraci, o seu filho teria fugido da barreira policial porque os documentos de sua moto estão vencidos - o último pagamento ocorreu em 2009. Ele não tem antecedentes criminais.
Duas ocorrências foram registradas na Delegacia da Polícia Civil de Capão da Canoa: uma vai investigar suposto desacato e lesões corporais praticadas pelos moradores contra PMs e outra a suposta lesão corporal e abuso de autoridade cometidos pelos brigadianos envolvidos.
Um outro episódio também será apurado pela Polícia Civil. Durante cerca de meia hora, PMs, armados com escopeta, proibiram a entrada na delegacia - jornalistas e inclusive um casal, que tentava registrar uma ocorrência, foram impedidos de entrar na DP.
-Vamos ver o que pode ter acontecido. Não é comum que brigadianos proíbam a entrada numa delegacia, que é um espaço público - complementa o delegado plantonista Valeriano Garcia Neto.












