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Remédio natural?16/03/2013 | 07h11

Novas pesquisas comprovam o potencial terapêutico da maconha

Publicações científicas desmitificam a maioria dos temores a respeito da Cannabis sativa

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Novas pesquisas comprovam o potencial terapêutico da maconha Stock.Xchng/Divulgação
No contexto sociopolítico atual, a maconha é ilegal na maioria dos países Foto: Stock.Xchng / Divulgação
A revista Mente e Cérebro, da Duetto Editorial, traz na edição de março o "Especial Maconha" que revela os novos estudos que comprovam as propriedades medicinais da Cannabis sativa, além da 'onda' norte-americana de legalização e a desmitificação em torno de possíveis transtornos. Há décadas, a maconha vem sendo estudada por pesquisadores de diversos países.

Várias são as verdades e os boatos sobre a planta, a começar pela ampla repercussão de pesquisas que sugerem relações entre uso da droga e desencadeamento de sintomas psicóticos, como a esquizofrenia. Segundo a publicação, na última década periódicos publicaram resultados que não apenas desmitificam a maioria dos temores a respeito da maconha como mostram que alguns de seus psicoativos podem ser aproveitados pela medicina.

A maconha para o bem

Está comprovado que a maconha pode trazer vários benefícios. A administração de Cannabis sativa em pacientes com glaucoma ajuda a reduzir a pressão ocular que pode levar à perda de visão. Também auxilia no alívio da dor crônica, combate náuseas e vômitos em pacientes que enfrentam quimioterapia contra o câncer e ajuda a estimular o apetite em pessoas que têm o vírus HIV.

Alguns países já regularizaram seu uso, principalmente com fins terapêuticos. Nos Estados Unidos, o uso medicinal já é permitido em 18 estados e no distrito de Columbia, e mais alguns consideram mudar a legislação. No fim de 2012 os estados de Colorado e Washington legalizaram o porte de pequenas quantidades de maconha (até 28 gramas) e o cultivo para consumo próprio.

No ano passado, o país vizinho do Brasil, o Uruguai, anunciou um plano de legalização da maconha, com controle estatal da produção, da distribuição e da venda da planta, além de autorizar o cultivo para uso pessoal. Essas medidas têm o objetivo de combater o narcotráfico na região, diminuir os índices de violência e funcionar como estratégia de redução de danos, isto é, usar o comércio regulamentado de maconha para evitar o consumo de drogas ilícitas potencialmente mais nocivas. Para isso, o projeto de lei que está em trâmite no parlamento uruguaio prevê a criação do Instituto Nacional da Cannabis (INCA) para atuar como órgão regulador.

Polêmicas da erva

Outra questão polêmica é o falso lugar-comum de que a maconha é uma 'porta de entrada' para outras drogas. Muitos estudos mostram que a maioria das pessoas que utiliza outras drogas ilícitas também já usou maconha. No entanto, a maioria esmagadora de usuários de drogas como cocaína e crack afirma que a primeira substância que experimentou não foi maconha, mas bebida alcoólica ou cigarro de tabaco.

Vicia ou não vicia?

Segundo o "Especial Maconha" da revista Mente e Cérebro, 1,5 milhão de pessoas usa Cannabis diariamente no Brasil. Os dados são do Levantamento Nacional de Álcool e Drogas (Lenad), do Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia para Políticas Públicas do Álcool e Outras Drogas (Inpad), divulgado em 2012. Porém, essas pessoas são dependentes? Na bíblia da saúde mental, o Manual diagnóstico e estatístico de transtornos mentais (DSM), o diagnóstico de dependência da Cannabis sativa requer que uma pessoa atenda ao menos três de sete critérios. Uma quantidade significativa de estudos revela que a porcentagem de usuários de fato dependentes é baixa.

Riscos da Cannabis

Em janeiro, o The Journal of the American Medical Association (JAMA) publicou um estudo feito com mais de 5 mil homens e mulheres dos Estados Unidos, que investigou o impacto do uso da maconha por 20 anos sobre o sistema respiratório. Os resultados revelaram que o consumo moderado de cigarros de Cannabis (um por dia por até sete anos) não prejudica a função pulmonar – ao contrário do tabaco, que, nessa mesma quantidade, tem consequências adversas significativas. Surpreendentemente, o uso ocasional da planta foi associado à melhora da função pulmonar. Porém, o consumo regular por longos períodos (mais de dez anos de uso diário) foi relacionado a um ligeiro declínio da capacidade dos pulmões.

Maconha é ilegal

No contexto sociopolítico atual, a maconha é ilegal na maioria dos países, logo é necessário ter consciência de que, até que as leis sejam revistas, seu comércio estará atrelado à violência intrínseca ao sistema de tráfico de drogas, que impacta toda a sociedade.

Comentar esta matéria Comentários (7)

ivan luiz de lima

Ha muitos anos atraz tive um amigo que fumava maconha diariamente. Apesar de me oferecer, nao sentia necessidade de fuma-la. Passados anos, acho que a maconha tira o impeto pessoal, relaxa no momento de definicoes importantes o que torna um momento decisivo a ser tomado em fato meramente banal!

17/03/2013 | 15h44 Denunciar

Marcio

Maconha é uma substancia milenar que sempre estará por aí,a proibição aguça a curiosidade dos jovens sobre seus efeitos.As drogas mais nocivas que existem são o alcool e o tabaco,por que será que são legalizadas?não faz sentido algum!

17/03/2013 | 06h22 Denunciar

Leandro

Parabéns Zero Hora por sempre tentar informar seu público sobre as verdades da nossa vida. Neste momento devem ter pessoas pulando de raiva, pois acham que isso é estimular, pessoas limitas, sem visão, doutrinadas a seguir apenas aquilo que se manda.

16/03/2013 | 16h13 Denunciar

Eduardo

...apreendem cargas para consumo proprio ou venda mesmo!!tá na hora do povo mandar aqui,tirar a máscara de Brasília!!

16/03/2013 | 16h06 Denunciar

Eduardo

Enquanto o povo não se manifestar,a ignorância afasta as chances de mudanças no Brasil,país comandado e mandado por corruptos,ladrões e manipuladores.Nos impõem falsas idéias,mas a realidade é outra,já sabemos que os únicos a lucrarem com a maconha são eles,políticos e polícias que apreendem cargas

16/03/2013 | 16h04 Denunciar

Wagner

Vamos deixar de pensar em efeitos terapeuticos e acordam a juventude para o mal causado por esta DROGA. Ela destroe famílias, contamina as relações sociais e financia o crime. Ela é diversão para deliquentes que querem provar para o grupo que são malandros. O ato de estudar é melhor que a DROGA!

16/03/2013 | 10h59 Denunciar

osmar

em vez de só uma versão unilateral de uma revista que claramente propagandeia o uso da maconha, o Caderno de ZH deveria aprofundar o assunto com publicações de maior respeito científico internacional. Sugiro o livro"Neurociência do Uso e da Dependência de Substâncias Psicoativas" da OMS

16/03/2013 | 09h30 Denunciar

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