Versão mobile

Caminho natural01/03/2013 | 18h10

"Não enfrentei discriminação, mas me senti observada, as pessoas se perguntavam se eu aguentaria o tranco"

Conheça a história de Simone Lucas Martins, diretora da Eliane Revestimentos Cerâmicos

Enviar para um amigo
"Não enfrentei discriminação, mas me senti observada, as pessoas se perguntavam se eu aguentaria o tranco" Maurício Vieira/Agencia RBS
"Sempre fui a primeira mulher a entrar, a primeira a subir, a primeira a assumir um cargo de gestão" Foto: Maurício Vieira / Agencia RBS

Não é de se estranhar que o universo masculino não seja intimidante para Simone Lucas Martins, 47 anos, a diretora financeira da Eliane Revestimentos Cerâmicos. Sendo a única menina entre cinco irmãos, lidar com homens nunca foi problema para ela. E essa experiência de vida acabou sendo levada para o lado profissional, marcado continuamente pelo pioneirismo em empresas predominantemente masculinas:

— Sempre fui a primeira mulher a entrar, a primeira a subir, a primeira a assumir um cargo de gestão.

Caminho natural, adaptação, coincidência e coragem de aceitar os desafios —  é a isso que a executiva atribui o sucesso em companhias de setores como auditoria, construção e incorporação, tecnologia industrial e autopeças, por exemplo.

Nesta hora, surge o questionamento natural: em ambientes assim, uma mulher não sofre preconceito?

— Não enfrentei nenhum tipo de discriminação, mas sempre me senti muito observada. As pessoas ficavam curiosas, se perguntando: "Como ela vai se comportar? Será que vai aguentar o tranco?" — conta.

Família em primeiro lugar

Na Eliane, a sua história começou em setembro de 2010, quando deixou Porto Alegre para assumir como diretora financeira da empresa, sendo hoje a única mulher na diretoria executiva. Decidiu aceitar a proposta porque acreditou que mudar para Criciúma seria o melhor para a família. Morando em uma cidade menor, poderia conviver mais com os filhos — um menino de 15 e uma menina de 11 anos.

Simone, que é casada pela segunda vez há sete anos, diz que sempre conseguiu conciliar carreira e vida pessoal e considera ter alcançado o que buscava profissionalmente, já que aproveitou as oportunidades que surgiram, encarou a competitividade de forma natural e teve coragem de aceitar os desafios que lhe foram propostos. Porém nem todos, convém ressaltar.

Sem exceção, explica, as decisões profissionais que tomou levaram em consideração um ponto fundamental: o que seria melhor para a família. Dessa forma, alguns convites, por mais tentadores que fossem, foram recusados por representarem carga excessiva de trabalho ou demandarem muito tempo longe em viagens.
 
Liberdade é fundamental

Para poder usufruir do convívio com o marido e os filhos, ela não abre mão de ter liberdade e controlar sua agenda. Hoje, com o uso da internet, explica, isso se tornou possível. Ela ressalta que, especialmente para as mulheres, é imprescindível que a empresa ofereça essa flexibilização.

— Filhos ficam doentes, a empregada pode faltar. Inúmeras coisas acontecem e é preciso lidar com esses imprevistos.

Outro ponto fundamental para executivas que têm família é contar com o apoio do companheiro. Simone diz que o marido é parceiro e contribui com sua vida profissional. Quando se mudaram para Criciúma, ele abriu uma franquia na área de alimentação para justamente não ter tantos problemas com horários.

— Combinamos que um de nós precisaria ter essa disponibilidade. Ele entende e me substitui, cuidando de tudo quando estou viajando.

Apesar de muito satisfeita, a executiva tem consciência de que não deve se aposentar na Eliane e que, assim que se for necessário, está pronta para enfrentar o que vier pela frente:

— Se for preciso, faço as malas rapidinho e vou para outro projeto. Eu tenho consciência de que eles têm começo, meio e fim. Quando chegam terminam, é necessário apostar em outro desafio.

Para Simone, a gestão feminina apresenta ingredientes diferentes e positivos. A mulher, destaca, traz mais do ambiente externo para dentro da empresa, tendo mais preocupação com as pessoas e buscando mais alternativas.

Mas se as mulheres têm tanto a oferecer, porque sua presença é ainda pequena nos cargos de comando?

— Não é por discriminação, são as próprias mulheres que acreditam que não podem seguir adiante e não se sentem capazes, especialmente as da minha geração. Mas creio que esta nova geração de 20 e poucos anos virá mais preparada.

Comentar esta matéria Comentários (0)

Esta matéria ainda não possui comentários

Siga os perfis de ZH no Twitter

clicRBS
Nova busca - outros