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Sinal dos tempos08/03/2013 | 14h49

Mulheres optam pela contracepção contínua como novo modo de vida

40% das brasileiras tem o desejo de ficar sem menstruar pelo menos de dois a três meses

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Mulheres optam pela contracepção contínua como novo modo de vida Carlinhos Rodrigues /
Liberdade contraceptiva permite a opção de não menstruar e ter uma vida sexual mais ativa Foto: Carlinhos Rodrigues
O século 21 trouxe transformações econômicas, políticas, tecnológicas, sociais e, principalmente, comportamentais. Muita coisa mudou, no universo feminino o ser frágil e indefeso deu lugar a um novo conceito: a mulher que sabe o que quer. Elas descobriram o sabor da liberdade sexual e do prazer tendo a contracepção contínua como opção ideal para sua rotina cheia de compromissos e que faz do tempo algo sagrado.

Um recente estudo que foi divulgado no último Congresso Mundial de Ginecologia revelou que 40% das brasileiras gostariam de ficar pelo menos dois a três meses sem menstruar. Vários médicos especialistas defendem o fato de que a mulher pode e deve ter a opção de escolher a frequência da sua menstruação. No entanto, a utilização de contraceptivos em regime contínuo e, consequentemente, a suspensão da menstruação por meses ou até anos, deve ser feita sempre com orientação e acompanhamento médico.

O especialista em ginecologia e obstetrícia pelo Hospital das Clínicas da FMUSP Achilles Cruz destaca que as vantagens do uso contínuo de contraceptivo oral são a melhora dos sintomas da TPM, o bem-estar e a consequente melhora da qualidade de vida das mulheres. São sintomas da TPM: inchaço nos seios, abdômen, pernas e pés, o que na maioria dos casos reflete diretamente na rotina diária delas.

— As desvantagens são poucas, e estão relacionadas aos eventuais efeitos adversos, que no caso do uso de pílulas em regime contínuo são os mesmos observados em usuárias de pílulas no regime com pausa. Destaco o sangramento irregular que é comum nos primeiros meses de uso no modo contínuo e tende a melhorar com a continuidade do tratamento — explica o médico.

Segundo o último Censo Demográfico do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatísticas (IBGE), o Brasil tem uma população feminina entre 15 e 34 anos de idade que já chega a quase 33 milhões de pessoas. Essa parcela das mulheres são as que mais buscam aproveitar o tempo desdobrando-se na vida profissional, pessoal e sexual. Por este motivo, tem crescido a adesão à contracepção contínua.

— Não há razão para sangrar todo mês, se a mulher não pretende engravidar a curto prazo. As flutuações hormonais durante o ciclo menstrual ou a queda brusca dos hormônios em usuárias de pílulas em regime com pausa provocam os sintomas menstruais, com destaque para a tensão pré-menstrual, a popular TPM, que atinge 80% das mulheres brasileiras — diz o ginecologista.

Dependendo da presdisposição da paciente, as menstruações repetidas ao longo da fase reprodutiva da vida da mulher podem contribuir para o surgimento de doenças como a endometriose, além de outros problemas no útero, que tendem a melhorar ou desaparecer com a suspensão da menstruação. Estudos comprovam que o uso do contraceptivo oral em regime contínuo pode beneficiar mulheres com sintomas menstruais como cefaleia e dismenorreia (cólica menstrual), menorragia (sangramento excessivo causado por disfunção hormonal, doenças do útero – mioma e adenomiose – e doenças hematológicas), além de anemia por deficiência de ferro.

A suspensão da menstruação através do uso da pílula em regime contínuo é indicada para mulheres que buscam benefícios adicionais além da contracepção, por exemplo:

Apresentam sintomas menstruais como dor de cabeça, cólica menstrual, inchaço, sensibilidade mamária e outros sintomas relacionados a TPM, incluindo as alterações do humor.

Usuárias de pílulas em regime convencional com pausa e que apresentam sintomas relacionados ao ciclo menstrual do tipo TPM durante ou próximo do período da pausa do anticoncepcional.

Sangramento menstrual excessivo ou cólica menstrual intensa que não respondem ao tratamento convencional.

Desejo de suspensão da menstruação por conveniência, ou seja, pelo tipo de atividade que exerce (comissária, atleta, serviço militar etc), por questão higiênica (mulheres com deficiência mental) ou simplesmente pela preferência por não menstruar.

Prevenção e tratamento de doenças como endometriose, mioma uterino e anemia.

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