Os jatos de água atirados pelos bombeiros dentro da boate Kiss dificultaram a fuga das pessoas. Este é o principal ponto do depoimento do produtor de palco da Banda Gurizada Fangueira, Luciano Augusto Bonilha Leão, ao Inquérito Policial Militar (IPM), na última quarta-feira. A investigação foi aberta pela Brigada Militar (BM) com o objetivo de investigar o trabalho do Corpo de Bombeiros durante o incêndio da Kiss, que resultou na morte de 240 pessoas, a maioria jovens universitários.
Leão foi ouvido na Penitenciária Estatual de Santa Maria, onde cumpre prisão preventiva com outro integrante da banda, Marcelo de Jesus dos Santos, e os sócios da boate Elissandro Spohr, o Kiko, e o Mauro Hoffmann. O produtor da banda prestou depoimento acompanhado do seu advogado, Gilberto Carlos Weber.
No seu depoimento, Leão definiu o trabalho dos bombeiros como precário. Disse ter notado que houve falta de equipamentos e que ação dos bombeiros careceu de uma coordenação mais eficiente. No depoimento que prestou ao IPM, Kiko também descreveu ação dos bombeiros como precária.
O advogado de Leão espera pela conclusão do inquérito da Polícia Civil, que apura as reponsabilidades criminal do incêndio, para formular a tese de defensa do seu cliente.
— Ainda não temos uma acusação contra ele. O argumento da prisão preventiva é que pela ordem pública e para não intervir na apuração policial — disse Weber.
Pelo que foi apurado até agora pela investigação da Polícia Civil, Leão teria sido a pessoa que comprou o artefato pirotécnico usado por um dos integrantes da banda que iniciou o incêndio. Se o inquérito policial fosse encerrado hoje, é provável que fosse indiciado por dolo eventual, o que significa que não teve a intenção de cometer o crime. Mas ao fazer a comprar do artefato, assumiu o risco.
VÍDEO: a homenagem aos filhos de Santa Maria
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Como aconteceu
O incêndio na boate Kiss, no centro de Santa Maria, começou entre 2h e 3h da madrugada de domingo, dia 27 de janeiro, quando a banda Gurizada Fandangueira, uma das atrações da noite, teria usado efeitos pirotécnicos durante a apresentação. O fogo teria iniciado na espuma do isolamento acústico, no teto da casa noturna.
Sem conseguir sair do estabelecimento, pelo menos 240 pessoas morreram e mais de 100 ficaram feridos.
A tragédia, que teve repercussão internacional, é considerada a maior da história do Rio Grande do Sul e o maior número de mortos nos últimos 50 anos no Brasil.
Em gráfico, entenda os eventos que originaram o fogo:
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