Foram necessários três agentes para transportar as cerca de 12 mil páginas do inquérito referente à investigação da tragédia na boate Kiss. Na manhã desta quinta-feira, três policiais civis da 1ª Delegacia de Polícia Civil, onde foi concentrada a investigação, transportaram o documento para a Delegacia Regional. Lá, os cinco delegados responsáveis estão reunidos para finalizar o relatório final, que resumirá e apontará os responsáveis pela tragédia.
Conforme o chefe da Polícia Civil gaúcha, Ranolfo Vieira Júnior, o relatório, que terá cerca de 150 laudas, está praticamente concluído.
— Falta menos de 20% para ser concluída essa parte final do inquérito. Até o final da manhã ou início da tarde, os delegados devem concluir isso. Depois, será feita um revisão no documento — adianta Ranolfo.
Questionado sobre possíveis indiciamentos ou novos pedidos de prisão preventiva, Ranolfo reafirmou o que já havia dito, que essa é uma questão que diz respeito somente aos delegados que presidiram a investigação.
— Não estamos especulando sobre possíveis indiciados. Da mesma forma não podemos falar nada de novos pedidos de prisões preventivas. Pelo que conheço dos delegados que presidem a investigação, eu tenho convicção de que eles estão trabalhando dia e noite, desde o momento em que o fato ocorreu, e vão fazer os apontamentos com a conclusão que o inquérito possibilitou nesse período — afirma o chefe de polícia.
Na Delegacia Regional, o ritmo de trabalho é intenso. Foram vistos agentes com muitos livros de Direito para colaborar com o relatório. Segundo funcionários da delegacia, os delegados estão concentrados de tal forma que até mesmo quem trabalha lá não pode falar com os cinco.
VÍDEO: a homenagem aos filhos de Santa Maria
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Como aconteceu
O incêndio na boate Kiss, no centro de Santa Maria, começou entre 2h e 3h da madrugada de domingo, dia 27 de janeiro, quando a banda Gurizada Fandangueira, uma das atrações da noite, teria usado efeitos pirotécnicos durante a apresentação. O fogo teria iniciado na espuma do isolamento acústico, no teto da casa noturna.
Sem conseguir sair do estabelecimento, pelo menos 240 pessoas morreram e mais de 100 ficaram feridos.
A tragédia, que teve repercussão internacional, é considerada a maior da história do Rio Grande do Sul e o maior número de mortos nos últimos 50 anos no Brasil.
Em gráfico, entenda os eventos que originaram o fogo:
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