Quase mil estudantes da escola estadual La Salle voltaram às aulas com um mês de atraso em Campo Bom, no Vale do Sinos. O motivo é problemas na rede elétrica, cuja reforma é esperada há um ano.
Enquanto isso, a saída foi racionar tomadas, proibir o uso de aparelhos eletrônicos e até desativar o laboratório de informática, onde computadores novos estão encaixotados por risco de sobrecarga.
A escola sofreu um princípio de incêndio em março do ano passado devido a problemas nas instalações elétricas. Desde lá, a única alternativa foi limitar o uso da energia. Em fevereiro, na véspera do início do ano letivo, um novo incêndio deixou metade da escola às escuras. No dia seguinte, os alunos foram surpreendidos com a interdição do colégio pelos bombeiros, diante do risco.
— Se eu não coloco meu filho na escola, sou punida pela lei. Mas quem é punido por não ter condições de meu filho estudar? — questiona Solange Wagner, 46 anos, mãe de um aluno do 2º ano do Ensino Médio.
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Em novembro de 2012, os estudantes fizeram uma manifestação pacífica pedindo providências, pois não podiam ligar ventiladores, condicionadores de ar e computadores devido ao risco de sobrecarga. Na época, o Estado prometeu resolver em 15 dias. Mas isso não ocorreu.
— É uma tragédia anunciada. Estamos tão preocupados que até já fizemos reuniões para tratar de como evacuar os alunos em caso de incêndio — conta Rosimeri Calegaro, professora de Biologia e Ciências.
Na quarta-feira passada, a comunidade escolar promoveu uma assembleia entre escola, pais e representantes do governo, que prometeu obras até meados de abril. Enquanto isso, as aulas foram retomadas na última quinta-feira, só que com cuidado máximo ao ligar aparelhos nas tomadas.
Na secretaria, só há uma impressora e um computador ativos. A cautela se estende à cozinha, onde geladeira e freezer são exceções para garantir o preparo da merenda.
Nas salas de aula, ventiladores e condicionadores de ar estão instalados, mas permanentemente desligados. Os professores também foram orientados a evitar usar equipamentos eletrônicos, temporariamente, diante do risco de sobrecarga.
— No ano passado, quando estava extremamente quente, fazíamos rodízio. Ligávamos o ventilador e o ar condicionado por um tempo e, depois, desligávamos. Tinha que dosar, por segurança — revela a diretora da escola, Sílvia Soares.
Revezamento de aparelhos ligados foi única alternativa
A diretora conta que uma obra emergencial foi concluída pelo Estado no começo deste mês. Com a troca da fiação de uma parte do prédio, houve garantia de iluminação nas salas de aula. Fora isso, porém, a orientação é não ligar nada nas tomadas. No laboratório de informática, os 27 computadores estão desativados. Ainda há outros 10 encaixotados, pois não adianta fazer a instalação sem poder ligá-los.
— Resolvemos desativar o laboratório a partir deste semestre. No ano passado, quando ele era usado outros setores ficaram desligados para cuidar a sobrecarga. Creio que conseguimos administrar da melhor maneira possível — explica Sílvia.
A expectativa da direção é de que a reforma completa da rede elétrica seja iniciada a partir de 13 de abril, conforme prometido pelo Estado. Durante a obra, revela a diretora, a ideia é que os alunos façam atividades extraclasses durante as aulas nas salas em reforma. A ativação do sistema, porém, deve ocorrer em um fim de semana, quando não há estudantes no recinto. O mais breve possível, espera Sílvia:
— Estamos torcendo para que isso se resolva logo e, ainda, que não tenhamos dias de calor forte até metade de abril, pois é muito difícil trabalhar e estudar.
O que diz a 2ª Coordenadoria Regional da Educação (CRE)
A coordenadoria afirma que já foi realizada uma obra emergencial para garantir o reinício das aulas e que, dentro de cerca de 30 dias, será feita uma nova obra para readequação da rede elétrica da escola para que possa suportar os aparelhos que não puderam ser ligados nesse momento. A CRE ainda garante que, a não ser a sala de informática e os condicionadores de ar, o restante da escola está com energia normalmente, inclusive a secretaria e a cozinha.








