Elton John chegou ao topo carregando um piano – e de cauda, o que, convenhamos, não é moleza.
O combustível para a ascensão fulgurosa de um artista anacrônico como ele podia parecer naquele começo dos anos 1970, época de concorrência feroz entre tantos músicos excepcionais, tem na fórmula elementos raros de se fabricar mesmo em laboratório, como é padrão hoje: o dom para criar melodias fantásticas, o trânsito com desenvoltura entre o pop e o rock e a sorte de ter encontrado no letrista Bernard Taupin o parceiro dos sonhos.
figura extravagante por detrás de alegorias e adereços chamativos, no caso de Elton John, é tão somente a divertida cobertura de bolo robusto e muito saboroso.
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Nascido como Reginald Kenneth Dwight em 25 de março de 1947, numa Londres ainda fumegando o trauma da II Guerra, Elton John (nome que adotaria em homenagem a dois amigos com quem tocou no início da carreira) cresceu cercado pela rica discoteca de seus pais – que eram músicos amadores, mas não desejavam ver o filho encarar o hobby como profissão. Não teve jeito. O guri, aos moldes do pequeno Mozart, já tocava piano com desenvoltura aos quatro anos e, aos 11, ingressou na prestigiada Royal Academy of Music.
A efervescência cultural dos anos 1960 desviou Elton do conservatório. Aos 15 anos, ele já tocava na Bluesology, banda formada por outros adolescentes. Experiência que, lembra ele sempre, foi muito mais determinante para forjar o artista gigante em que se transformou do que a formação erudita. Elton John faz parte da geração de artistas que ralou muito tocando noite adentro em bares e inferninhos, criando tanto calo nos dedos quanto afinando a percepção para saber o que faz uma plateia vibrar diante do palco. A habilidade melódica e a veia pop também o fizeram desviar do caminho que levou muitos virtuoses do piano como ele (Rick Wakeman, John Lord, entre outros) para a praia do rock progressivo ou instrumental.
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O marco zero do sucesso futuro está em 1967, quando Elton John e Bernard Taupin se conheceram. Ambos responderam a um anúncio da gravadora Liberty procurando novos talentos. Um executivo do selo percebeu que a força de um estava na performance melódica e, a do outro, na criação de letras. Sugeriu que trabalhassem juntos. Nascia ali a dupla dinâmica que produziu canções grudentas numa linha de produção que, para muitos, só tem paralelo no fértil território dos Beatles.
Se o primeiro disco de Elton John, Empty Sky (1969), teve recepção discreta, o seguinte, de 1970, apenas com o nome do artista, apresentou Your Song, o primeiro de uma fileira de hits que consagrou essa que é da mais longevas parcerias da música pop.
Nos álbuns seguintes – entre eles, clássicos como Honky Château, de 1972, Don’t Shoot Me I’m Only the Piano Player e Goodbye Yellow Brick Road, ambos de 1973, e Caribou, de 1974 –, estão alguns dos maiores sucessos não apenas de Elton John, mas de toda a safra de grandes canções dos anos 1970: Rocket Man, Crocodile Rock e Goodbye Yellow Brick Road.
Zero Hora lista seis discos essenciais para conhecer a carreira de Elton John.
Como toda estrela pop, sua trajetória é marcada por altos e baixos e pelos excessos de uma vida que já foi movida a álcool e cocaína. Se dos discos das últimas décadas apenas um que outro sucesso radiofônico lembrou o passado genial, Elton consagrou-se como figura icônica, tanto à frente da militância de causas como o apoio a vítimas da Aids quanto por sua onipresença em eventos flantrópicos, sua amizade com celebridades e seus barracos com desafetos. Foi reconhecido como Sir pela realeza britânica e até um Oscar ganhou, pela trilha sonora do desenho da Disney O Rei Leão (1994).
Com 65 anos e 450 milhões de discos vendidos, Elton John vive hoje um casamento tranquilo com David Furnish, com quem cria dois filhos que encomendaram de uma mãe de aluguel. Agitação e rebeldia ele guarda para quando se senta ao piano e bate nas teclas alternando a docura de Candle in the Wind com fúria juvenil de Saturday Night’s Alright for Fighting.
Músico é presença constante em programas de TV e no cinema.













