O chefe de Polícia do Rio Grande do Sul, delegado Ranolfo Vieira Júnior, chegou na Delegacia Regional de Santa Maria às 10h40min desta quarta-feira para acompanhar a revisão final do relatório do inquérito que investiga o incêndio da boate Kiss.
Sozinho, Ranolfo entrou pela porta da frente da delegacia, no Centro, e foi direto para a sala onde estão reunidos os cinco delegados que cuidam do relatório, que já tem 140 páginas. O inquérito policial da tragédia da Kiss já tem cerca de 10 mil páginas.
— Não é fácil. A gente está fazendo a revisão minuciosa para marrar tudo certo. Nos Estados Unidos (no incêndio em uma boate de Rhode Island), a investigação levou 9 meses. Aqui, já estamos com o inquérito quase pronto em menos de dois meses, e a tragédia é de maior proporção — disse o delegado regional, Marcelo Arigony.
Uma das precauções dos delegados é com a língua portuguesa. Como o relatório será disponibilizado na internet e terá acesso irrestrito, os policiais estão revisando várias vezes o texto para que não contenha erros. A versão do relatório em outras línguas também estaria atrasando a conclusão. Não está descartada a possibilidade que o documento seja revisado por especialistas antes de ser digitalizado.
O relatório deverá ser disponibilizado na internet pela Polícia Civil, traduzido em outras línguas, mas ainda não há data definida para isso. A expectativa é que Ranolfo tenha vindo hoje para anunciar a data da conclusão do inquérito e da divulgação das pessoas que serão responsabilizadas pelo incêndio.
Na semana passada, quando esteve em Santa Maria, Ranolfo disse que anunciaria a data da divulgação do inquérito com dois dias de antecendência, o que leva a crer que a previsão de sexta-feira se confirme. O chefe de Polícia veio, desta vez, com malas no carro.
VÍDEO: a homenagem aos filhos de Santa Maria
Clique na imagem e confira o perfil das 241 vítimas:
Como aconteceu
O incêndio na boate Kiss, no centro de Santa Maria, começou entre 2h e 3h da madrugada de domingo, dia 27 de janeiro, quando a banda Gurizada Fandangueira, uma das atrações da noite, teria usado efeitos pirotécnicos durante a apresentação. O fogo teria iniciado na espuma do isolamento acústico, no teto da casa noturna.
Sem conseguir sair do estabelecimento, pelo menos 240 pessoas morreram e mais de 100 ficaram feridos.
A tragédia, que teve repercussão internacional, é considerada a maior da história do Rio Grande do Sul e o maior número de mortos nos últimos 50 anos no Brasil.
Em gráfico, entenda os eventos que originaram o fogo:
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