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Patrimônio em obras05/03/2013 | 09h00

Catedral histórica é restaurada em Pelotas

Com pinturas do famoso artista italiano Aldo Locatelli, templo receberá investimento de R$ 12 milhões

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Catedral histórica é restaurada em Pelotas  Marcel Avila/Especial
Depois de 60 anos, catedral passa por reformas Foto: Marcel Avila / Especial
Júlia Otero - Pelotas/Casa Zero Hora

julia.otero@zerohora.com.br

Desde 1853, a Catedral São Francisco de Paula se impõe no Centro de Pelotas. A última intervenção no local, entre o final da década de 1940 e começo de 1950, contou com pinturas de Aldo Locatelli, artista italiano famoso. Hoje, graças às pinturas e a localização, o local é tombado pelo Estado.

Passados mais de 60 anos, a igreja passa por novas obras. A ideia é reformar todo o prédio, desde o telhado e parte elétrica até o restauro de pinturas e abóbodas. Tudo está orçado em R$ 12 milhões.

— Estamos conseguindo a verba com empresas, aos poucos, por meio da Lei Rouanet — explica o padre Luiz Amarildo Boari.

Com aporte de R$ 500 mil da Petrobras, a primeira etapa da obra será concluída no fim do mês. É o salão paroquial, que mede 204,6 metros quadrados e teve renovado o forro, as telhas, o assoalho e a parte elétrica.

— A obra é mais cara do que vemos normalmente na construção civil porque utiliza muito ferro e madeira. Mas precisamos mantê-los, pois o objetivo é seguir o projeto original — afirma uma das arquitetas responsáveis pela restauração, Simone Neutzling.

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E, em meio aos martelos, um pouco da história se descasca, mostrando-se na parede. Quando os obreiros tiraram um armário da parede do salão paroquial, descobriram um desenho que premeditava a última intervenção, na década de 1950. Rabiscos na parede revelam um desenho da cúpula e dos pilares internos que foram agregados no prédio.

— De certo era o mestre de obras explicando como iria funcionar a reforma. É um achado muito legal, queremos preservar o desenho e descobrir quem fez isso. Porque nossa ideia é não somente recuperar o prédio, mas a memória das pessoas — empolga-se Simone.

Quando houver captação de recursos para a recuperação do resto da construção, a ideia é chamar a comunidade para contar as histórias de quem viveu as transformações da Catedral. E pelo visto terá muita gente com a memória renovada:

— O Locatelli foi indicado pelo então futuro papa João XXIII para pintar. Ele chamava pessoas comuns para serem suas modelos na pintura de anjos e outros personagens. A comunidade tirou tanto proveito que a primeira Escola de Belas Artes da cidade foi fundada enquanto o artista estava aqui. Locatelli foi um dos primeiros professores do centro de ensino — conta a professora de História da Arte da Universidade Federal de Pelotas (UFPel), Carmen Regina Bauer Diniz.

Apesar da reforma, catedral segue aberta até para casamentos

Não há prazo para terminar o restauro da catedral, nem para começar a próxima etapa, pois depende da captação de verba. Desde a última intervenção, apenas foram feitas manutenções, mas é o primeiro grande restauro. A única novidade da obra é a inclusão de um elevador para cadeirantes. Mas o certo é que a beleza das pinturas seguirá podendo ser admirada pelo público.

—  Mesmo com as intervenções, vamos manter a catedral aberta, de repente isolando um ou outro local, até realizando casamentos com a presença de andaimes, mas sempre aberta. Queremos que a comunidade vivencie as melhorias — projeta uma das arquitetas que trabalha na restauração, Annie Fernandes.

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