O advogado Jader Marques, que representa Elissandro Spohr, o Kiko, esteve nesta terça-feira pela manhã na 1ª Delegacia de Polícia Civil de Santa Maria e solicitou acesso de todo o inquérito policial em andamento.
Ele questionou o cálculo feito pela Polícia para divulgar que a casa noturna estava com cerca de mil pessoas na noite da tragédia. Segundo ele, ainda faltam ouvir vítimas que poderiam estar no local naquele dia.
- É importante ressaltar que, apesar do empenho dos delegados, o inquérito da Polícia Civil é uma peça meramente ilustrativa. Todas as provas e indícios serão confrontados na justiça. Estranho muito essa contagem feita, em parte pela internet, que é um local pouco confiável - afirma Jader à imprensa.
A Polícia Civil recebeu na semana passada uma lista com pessoas envolvidas no fato (vítimas ou que se feriram auxiliando no socorro) e ainda não haviam prestado depoimento. Com isso, a investigação quer saber quem esteve dentro do local e está confrontando esta listagem com o número de mortos, hospitalizados e vítimas que já depuseram.
No entendimento dos delegados responsáveis, o fato de o levantamento estar quase concluído não vai fazer com que se altere o número de mil frequentadores do local no dia 27 de janeiro. A lotação máxima era de 691.
- Para mim, esse número não diz nada. Meu cliente diz que não havia mais de 800 pessoas. Esse número (691) não é correto, é defasado porque ele é baseado em um projeto antigo da boate. Os bombeiros deveriam ter feito um novo PPCI, mas não fizeram - declarou o advogado de Kiko.
Depoimentos
Jader Marques disse que seu cliente só vai depor novamente à Polícia Civil amanhã se ele obter na íntegra o inquérito, apesar de acreditar que o mesmo é meramente "ilustrativo":
- O debate mesmo vai se dar quando as testemunhas falarem diante de um juiz.
O delegado Sandro Meinerz quer confrontar novas informações com outros interrogatórios de Elissandro Spohr. Ele está detido na Penitenciária de Santa Maria. Também o depoimento do outro proprietário, de Mauro Hoffmann, está confirmado para hoje à tarde, bem como o de um dos integrantes da banda. Os dois também estão detidos.
VÍDEO: a homenagem aos filhos de Santa Maria
Clique na imagem e confira o perfil das outras 241 vítimas:
Como aconteceu
O incêndio na boate Kiss, no centro de Santa Maria, começou entre 2h e 3h da madrugada de domingo, dia 27 de janeiro, quando a banda Gurizada Fandangueira, uma das atrações da noite, teria usado efeitos pirotécnicos durante a apresentação. O fogo teria iniciado na espuma do isolamento acústico, no teto da casa noturna.
Sem conseguir sair do estabelecimento, pelo menos 241 pessoas morreram e mais de 100 ficaram feridos.
A tragédia, que teve repercussão internacional, é considerada a maior da história do Rio Grande do Sul e o maior número de mortos nos últimos 50 anos no Brasil.
Em gráfico, entenda os eventos que originaram o fogo:
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