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A dor que ensina02/02/2013 | 11h36Atualizada em 02/02/2013 | 11h57

Voo 820 e o 11 de Setembro transfomaram as regras na aviação

Incêndio em voo da Varig em 1973 e atentados nos EUA em 2001 exigiram medidas globais

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Voo 820 e o 11 de Setembro transfomaram as regras na aviação Divulgação/Divulgação
A morte de 116 passageiros por fumaça tóxica modificou a estrutura dos aviões Foto: Divulgação / Divulgação

Duas tragédias aéreas mudaram para sempre a segurança de aviões e aeroportos no mundo. A primeira, em 1973, com o voo da Varig RG-820, institui a presença de detectores de fumaça e materiais antichamas dentro das aeronaves. A segunda, que aconteceu em 11 de setembro de 2001, custou R$ 40 bilhões ao governo americano em segurança.

É difícil que alguém se imagine fumando dentro de um avião, nos dias de hoje. Há 40 anos, era permitido fumar, e os restos acesos de um cigarro no toalete do avião da Varig que ia do Rio para Londres, com escala em Paris, provocaram um incêndio que matou 116 passageiros.

O livro Caixa-Preta, escrito pelo especialista em acidentes aéreos Ivan Sant'Anna, conta que o incêndio sequer foi combatido. O avião não tinha qualquer mecanismo de detecção de incêndios. A partir desta tragédia os aviões passaram a contar com detectores de fumaça e revestimento antichamas.

Em 2001, os atentados ao World Trade Center tornaram muito mais rígidos os procedimentos nos aeroportos. Nossas bagagens começaram a ser vistoriadas mais de uma vez e passamos a tirar os sapatos antes do detector de metais.

Confira entrevista com Ivan Sant'Anna autor do livro Caixa-Preta

No livro Caixa-Preta, lançado em 2000, o escritor Ivan Sant'Anna narra com minúcias a história de três acidentes aéreos que comoveram o Brasil. O primeiro deles, envolvendo um avião da Varig, que completa, em 2013, 40 anos, pessoas morreram inalando a fumaça tóxica de um incêndio provocado por faíscas. E o Brasil reagiu, como com Santa Maria. Sant'Anna conta o que mudou depois do acidente com o avião que saiu do Rio e caiu em um campo francês.

Diário Catarinense — Na época do acidente havia alguma discussão sobre os riscos de fumar em avião?

Ivan Sant'Anna - Sim. Dois aviões tinham pego fogo no ar por causa do cigarro.

DC — O que mudou depois da tragédia de 1973?

Sant'Anna - Todo acidente grande e atípico provoca mudanças no mundo inteiro. Uma das mais importantes foi no revestimento da aeronave que, no caso do avião da Varig, era parecido com o da boate em Santa Maria, altamente tóxico. Foi uma fumaça tão rápida e tão violenta que, dos 117 passageiros do avião, só um levantou. O restante todo morreu nas cadeiras, com o cinto amarrado. Atualmente, o revestimento não é inflamável e há o sniffers (que detecta fumaça).

DC — Se o mesmo acidente acontecesse hoje, 40 anos depois, o que mudaria?

Sant'Anna — Assim que o passageiro começasse a fumar, o comandante saberia. Não só que ele estava fumando, mas onde. Se o cara, hoje, começasse a fumar no banheiro, acenderia uma luz de alarme e os comissários abririam a porta. Se isso não funcionasse e o cigarro incendiasse alguma coisa, o revestimento de fumaça não é mais inflamável.

DC — Fala-se que os sobreviventes de Santa Maria, que inalaram a fumaça tóxica, correm o risco de sofrerem problemas respiratórios. Isso ocorreu no caso da Varig?

Sant'Anna - Eram 117 passageiros, 116 morreram. O único que sobreviveu, o Ricardo Trajano, que está vivo até hoje, teve problemas respiratórios graves. Ele ficou internado um tempão em Paris. Depois a Varig montou um avião CTI e o trouxe para o Brasil. Mas depois ele se curou. Os membros da tripulação que sobreviveram não tiveram problemas, porque estavam na cabine, e abriram as janelas de emergência.

Clique na imagem e confira o perfil das 236 vítimas

Como aconteceu

O incêndio na boate Kiss, no centro de Santa Maria, começou entre 2h e 3h da madrugada de domingo, quando a banda Gurizada Fandangueira, uma das atrações da noite, teria usado efeitos pirotécnicos durante a apresentação. O fogo teria iniciado na espuma do isolamento acústico, no teto da casa noturna.

Sem conseguir sair do estabelecimento, pelo menos 236 jovens morreram e outros 100 ficaram feridos. Sobreviventes dizem que seguranças pediram comanda para liberar a saída, e portas teriam sido bloqueadas por alguns minutos por funcionários.

A tragédia, que teve repercussão internacional, é considerada a maior da história do Rio Grande do Sul e o maior número de mortos nos últimos 50 anos no Brasil.

Em gráfico, entenda os eventos que originaram o fogo:

A boate

Localizada na Rua Andradas, no centro da cidade de Santa Maria, a boate Kiss costumava sediar festas e shows para o público universitário da região. A casa noturna é distribuída em três ambientes - além da área principal, onde ficava o palco, tinha uma pista de dança e uma área vip. De acordo com a Polícia Civil, a danceteria estava com o plano de prevenção de incêndios vencido desde agosto de 2012.

A festa

Chamada de "Agromerados", a festa voltada para estudantes da Universidade Federal de Santa Maria (UFSM) começou às 23h de sábado. O evento era de acadêmicos dos cursos de Agronomia, Medicina Veterinária, Tecnologia de Alimentos, Zootecnia, Tecnologia em Agronegócio e Pedagogia.

Segundo informações do site da casa noturna, os ingressos custavam R$ 15 e as atrações eram as bandas "Gurizadas Fandangueira", "Pimenta e seus Comparsas", além dos DJs Bolinha, Sandro Cidade e Juliano Paim.

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