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Tragédia em Santa Maria09/02/2013 | 20h33

Voluntários de todo o Brasil foram a Santa Maria ajudar vítimas da tragédia

Força Nacional do SUS enviou 66 profissionais e outros 5 mil voluntários auxiliaram os trabalhos

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Voluntários de todo o Brasil foram a Santa Maria ajudar vítimas da tragédia Maiara Bersch/Agencia RBS
Força Nacional do SUS remeteu 66 profissionais para auxiliar o socorro em Santa Maria Foto: Maiara Bersch / Agencia RBS
Nilson Mariano, de Santa Maria

nilson.marinao@zerohora.com.br

Uma legião de voluntários acorreu a Santa Maria de várias regiões do país, a partir de 27 de janeiro, para socorrer os atingidos pela tragédia na boate Kiss. Veteranos em situações de violência, destruição ambiental e calamidades, depararam com um cenário nunca antes confrontado: a cidade não precisava de remédios, colchões e telhas, mas de consolo e esperança.

Psicóloga especializada em emergências e desastres, Rosana Dorio Bohrer, 53 anos, saiu de São Paulo ainda no dia 27. Sabendo que as 238 mortes e as dezenas de feridos provocariam traumas nos moradores de Santa Maria, deixou os três filhos e as duas empresas que tem para agir rápido.

– Um evento extremamente impactante causa desestabilização. Se não houver resposta imediata, pode se instalar uma crise dentro da crise – observa.

Rosana e mais 21 colegas da Associação Brasileira de Psicologia em Emergências e Desastres (Abraped) começaram a atuar no Ginásio Farrezão, amparando os familiares que identificavam as vítimas da fumaça tóxica. E não pararam mais: estiveram em velórios, sepultamentos, hospitais, inclusive ajudando policiais e bombeiros, que também podem sentir os reflexos da tragédia.

Os integrantes da Abraped organizaram o atendimento e capacitaram outros psicólogos para a emergência. Com a experiência de quem trabalhou nos dois últimos acidentes aéreos envolvendo passageiros e tripulantes da TAM e da Gol, Rosana diz que o protagonismo no atendimento deve ser dos profissionais do lugar.

– Nós fazemos isso, indo onde somos necessários, porque acreditamos na responsabilidade social – destaca.

O flagelo imposto pelo luto também foi percebido pelo pastor batista e professor Fabrício Cunha dos Santos, 34 anos, de São José dos Campos (SP). Membro da entidade de ação humanitária Novo Jeito, ofereceu atenção espiritual e psicológica aos pais e amigos dos mortos ou hospitalizados.

– O propósito foi manter a pessoa sã, evitando que entrasse em desespero – conta.

Os missionários da Novo Jeito conversaram, abraçaram, ouviram, puseram-se à disposição de quem precisasse. Fabrício e mais três companheiros visitaram todos os leitos de UTI onde havia vítimas. Aos pacientes que podiam falar, perguntavam para quem endereçariam as orações.

– Ações relativamente simples, num momento desses, têm valor – diz Fabrício.

O educador e religioso prestou serviços na África do Sul, no Rio, na Costa Rica e na Malásia pós-tsunami. Eram catástrofes palpáveis. Em Santa Maria, defrontou-se com uma devastação invisível, causada pelo luto.

– Um tsunami gera a necessidade de sobreviver, reconstruir casas. Em Santa Maria, não é o caso. É reconstruir a esperança, sem a qual não se vive – alerta Fabrício.

Clique na imagem e confira o perfil das 238 vítimas

Como aconteceu

O incêndio na boate Kiss, no centro de Santa Maria, começou entre 2h e 3h da madrugada de domingo, dia 27 de ferereiro, quando a banda Gurizada Fandangueira, uma das atrações da noite, teria usado efeitos pirotécnicos durante a apresentação. O fogo teria iniciado na espuma do isolamento acústico, no teto da casa noturna.

Sem conseguir sair do estabelecimento, pelo menos 238 jovens morreram e mais de 100 ficaram feridos.

A tragédia, que teve repercussão internacional, é considerada a maior da história do Rio Grande do Sul e o maior número de mortos nos últimos 50 anos no Brasil.

Em gráfico, entenda os eventos que originaram o fogo:


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