Ao levarem a fama de bons negociadores para além da sombra das parreiras, os italianos da serra gaúcha pisarão no sambódromo do Anhembi, em São Paulo, para mostrar que uva também dá samba. E o Brasil verá, na madrugada de sábado, como o Carnaval pode impulsionar um segmento comercial.
De olho na incorporação do hábito de consumir vinho no cotidiano dos brasileiros – e no aumento das vendas, claro –, o Instituto Brasileiro do Vinho (Ibravin) firmou parceria com a tradicional Vai-Vai, 14 títulos no Carnaval paulistano. A escola desfilará ajudada por um aporte de R$ 1,35 milhão, bancado pelo instituto, por patrocinadores, apoiadores e pela Lei Rouanet, já que 90% do valor investido foi capitalizado por dedução de impostos.
A ideia nem é nova, mas isso pouco importa. No ano passado, o vinho embalou o Estado Maior da Restinga ao bicampeonato do Carnaval de Porto Alegre. Foi um primeiro passo na intenção de disputar espaço com cerveja, destilados e outras bebidas em geral. Nunca é demais lembrar que um bom tinto cai melhor no frio, e se o Brasil carrega o rótulo de país tropical é porque quase nunca o mercúrio dos termômetros belisca 0ºC.
Na experiência gaúcha, 1,8 mil taças de espumante foram vendidas somente nas arquibancadas do Porto Seco. Quase nada perto do lucro em mídia espontânea, perto de R$ 5 milhões.
Neste ano, o aquecimento na maior cidade do país começou muito antes. Já foram vendidas mais de 2,5 mil taças de vinho e outras 200 garrafas de espumante durante os ensaios e as famosas feijoadas no Bixiga, o bairro dos gringos paulistanos.
— Desde 2011, mantivemos contato com a Vai-Vai e também com a Beija-Flor, no Rio. Como não seria possível bancar dois desfiles ao mesmo tempo, optamos por São Paulo neste primeiro momento, pois é o que dá maior mídia televisiva. O Carnaval do Rio é mais glamour — explica o gerente de promoção e marketing do Ibravin, Diego Bertolini.
Enquanto isso, o diretor comercial da Vinícola Perini, Franco Perini, voará amanhã até o Sudeste para a preparação de um terreno que já prevê uma boa safra. A empresa é uma das patrocinadoras da Vai-Vai, ao lado de marcas como Arbor, Aurora, Góes, Salton e Verallia. Perini desfilará com os sambistas e, se der tempo, provará o vinho vendido a preços populares em embalagens cartonadas de 250 ml. Talvez faça um brinde em plena avenida, porque beber vinho é bem menos complicado do que negociá-lo.
— Após a polêmica da salvaguarda, conseguimos um acordo que possibilitou um bom espaço. E, agora, ainda existe a chance de desmistificar o vinho, que é ainda visto como bebida de elite — afirma Perini, em referência ao boicote de restaurantes aos produtores nacionais, ocorrido no ano passado.
Caixinha na avenida
Para popularizar a bebida, três rótulos de vinho de empresas apoiadoras serão vendidos no Anhembi a baixo custo e embalados em caixinhas de 250ml da Tetra Pak. Em busca de uma escolha justa, 80 degustadores participaram de uma prova às cegas.
Os preferidos pelo júri: Aurora Saint Germain Branco Assemblage, da Aurora, de Bento Gonçalves; Arbo Merlot, da Vinícola Perini, de Farroupilha; Quinta Jubair Tinto Suave, da paulista Goés. O trio será comercializado em 180 mil embalagens que trazem a marca setorial “Vinhos do Brasil”.
Mercados maduros da América Latina serviram de inspiração na estratégia desenvolvida pelo Ibravin e pela Tetra Pak. Na Argentina, o vinho em embalagem cartonada já representa 44% do total da produção.













