Assista ao vídeo e confira o relato dos passageirosEra 21h50min quando, depois de dezenas de usuários esperarem na fila, o motorista fechou as portas. O ônibus da linha Tapera, empresa Insular, seguiria em comboio, com mais dois coletivos, e escoltado pela Polícia Militar. Pelo espelho o motorista percebeu que tinha gente demais. A PM também. Três rapazes que ainda tentavam entrar foram avisados:
— Não tem dá mais lugar. Vai ter gente no caminho e vocês vão ter que esperar o próximo — avisou um PM.
Sentada no banco do corredor do ônibus apinhado de gente, Simone Lopes carregava um bebê de seis meses no colo e contou com a solidariedade dos outros passageiros.
Adultos, quase todos trabalhadores que depois da jornada voltavam para suas casas, abriam mão do banco para que o filho de seis anos seguisse sentado. Não seria aconselhável Vitor ficar espremido entre as pernas de tanta gente grande. Simone tinha ido ao Centro da cidade, com a bebê que cuida, filha de uma sobrinha. Sabia da situação dos ônibus, mas não tinha noção de como seria.
— Estamos entregues — resumiu. O sentimento de vulnerabilidade compartilhado por outros passageiros.
A secretária Ana Paula Ramos estava com medo:
— A gente fica esperando o pior: incêndio, briga, troca de tiros — disse Ana Paula.
Simone, Ana Paula e os passageiros tiveram uma viagem desconfortável. Por questão de segurança, o roteiro foi alterado (seguiu direto pelo Saco dos Limões) com passageiros tendo que andar bem mais até chegar em casa.
Quando o ônibus alcançou o portão da Base Aérea de Florianópolis, o aposentado João Merlon se disse aliviado:
— Aqui dentro a bandidagem não entra — disse João.
O ônibus cruzaria a BAF e chegaria na Tapera, onde Simone e tantos outros desceram. Hoje cedo, estarão nas paradas novamente.
E às 21h50min, deixando o Ticen.









