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Os atentados voltaram02/02/2013 | 22h54Atualizada em 02/02/2013 | 22h55

"Tinha colegas que estavam com todo o salário na bolsa. Queimou tudo", conta vítima de atentado em Criciúma, no Sul de SC

Ônibus fretado foi queimado com coquetel Molotov na noite de sexta-feira

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"Tinha colegas que estavam com todo o salário na bolsa. Queimou tudo", conta vítima de atentado em Criciúma, no Sul de SC Arquivo pessoal/Arquivo pessoal
Veículo da empresa Expresso Coletivo Forquilhinha foi incendiado e ficou completamente destruído Foto: Arquivo pessoal / Arquivo pessoal

Um grupo de mais de 20 trabalhadores de um frigorífico passou por momentos de pânico na noite de sexta-feira, em Criciúma. Após o dia de trabalho, o ônibus fretado que fazia o transporte dos funcionários da Seara Alimentos, de Forquilhinha para Criciúma, foi mais um alvo da onda de ataques que assola Santa Catarina.

O veículo da empresa Expresso Coletivo Forquilhinha foi incendiado e ficou completamente destruído. Ninguém se feriu. Este foi o primeiro ataque na região Sul do Estado, desde que os atentados recomeçaram, na última quarta-feira.

Eram 22h45min quando o ônibus estacionou na Vila União, em Criciúma, para o desembarque de uma das passageiras. Neste momento, dois homens armados chegaram em uma moto e um deles invadiu o coletivo. Segundo o depoimento de um dos trabalhadores que presenciou o ataque, um gaúcho de 24 anos que prefere não se identificar, a dupla portava armas de cano longo — possivelmente espingardas de caça calibre 22 — e gritava para que todos descessem do veículo.

Alguns tentaram fugir pela porta da frente e precisaram pular a catraca. Com o tumulto, pessoas caíram e acabaram pisoteadas, mas todos conseguiram sair e ninguém se feriu com gravidade.

— Foi um pavor. A galera saiu a mil e aí já entrou o outro cara com um galão. Acho que era gasolina — conta o operador de máquinas.

Em minutos, o coletivo estava em chamas. Os trabalhadores se abrigaram em casas das proximidades e tentaram acionar a polícia.

— Entrei numa casa com umas colegas e tentei entrar em contato com a polícia. Liguei três vezes. Acho que pensaram que era trote e desligaram. Algum outro vizinho deve ter conseguido ligar, porque eles chegaram 30, 40 minutos depois, junto com os bombeiros — explica.

Em pânico, muitos passageiros abandonaram seus pertences no veículo na hora da fuga. Além de documentos e outros objetos, alguns trabalhadores viram o fogo consumir todo o dinheiro recebido pelo trabalho do mês anterior.

— Ontem tinha saído o pagamento da empresa. Tinha colegas que estavam com todo o salário na bolsa. Queimou tudo — lamenta o funcionário.

Entrevista com uma das vítimas, um operador de máquina, 24 anos que pediu para não ser identificado:

Jovem presenciou o ataque ao ônibus que levava os trabalhadores da sede da empresa, em Forquilhinha, para Criciúma. Em minutos o coletivo foi totalmente destruído pelo fogo. O operador de máquinas narra os momentos de pânico da noite de sexta-feira:

Agência RBS - Como aconteceu o ataque?

Operador de máquina - Nós estávamos voltando do trabalho. Uma passageira foi descer na sua parada habitual, na Vila Jardim União, em Criciúma, quando dois caras armados chegaram em uma moto. Um deles invadiu o ônibus e gritou para todo mundo descer.

Agência RBS - Eles chegaram a ferir alguém?

Operador de máquina - Não. Mandaram todo mundo descer a coices e ponta-pés. Mas, pelo menos, não atiraram.

Agência RBS - Você viu a arma que eles carregaram?

Operador de máquina - Pareciam armas de caça, cano longo. Acho que eram (calibre) 22.

Agência RBS - O que aconteceu depois?

Operador de máquina - Foi um pavor. A galera saiu a mil e aí já entrou o outro cara com um galão. Acho que era gasolina. A mulherada saiu gritando, apavorada. Muitos tentaram sair pela porta da frente, mas aí tinha que pular a catraca. Uns caíram e o resto cruzou por cima. Baita pavor, mesmo.

Agência RBS - Onde vocês se abrigaram?

Operador de máquina - Uns correram para um lado, outros para outro. Eu entrei em uma casa com umas colegas e tentei entrar em contato com a polícia. Liguei três vezes. Acho que pensaram que era trote e desligaram. Algum outro vizinho deve ter conseguido ligar, porque eles chegaram 30, 40 minutos depois, junto com os bombeiros. Mas aí já era tarde. Graças a Deus não tinha ninguém dentro do ônibus. Se tivesse, tinha morrido.

Agência RBS - Vocês perderam muita coisa dentro do veículo?

Operador de máquina - Um monte de colegas travou na hora e acabou deixando bolsa e tudo mais para trás. Ontem (sábado) tinha saído o pagamento da empresa. Tinha colegas que estavam com todo o salário na bolsa. Queimou tudo.

Clique no mapa e veja onde foram as ações criminosas:


Visualizar Atentados em SC - 2013 em um mapa maior

Quarta noite de ataques

No início da noite de sábado, um ônibus coletivo da empresa Critur, de Criciúma, foi alvo de um ataque no bairro Renascer. O veículo foi incendiado, mas não houve vítimas. Segundo a PM, um suspeito foi detido.

Às 6h15, um ônibus foi incendiado em Joinville por quatro homens, todos armados e um encapuzado. Não houve vítimas.

Pouco antes das 3h deste sábado, bandidos passaram atirando pelo prédio da prefeitura de Itajaí. Foram efetuados pelo menos cinco disparos, que atingiram os vidros do prédio.

À 1h50min, aproximadamente, bandidos incendiaram um ônibus parado em Pomerode, na localidade de Alto da Serra. Segundo o motorista, Ivan Borchardt, o fogo quase se espalhou para casas próximas, mas foi combatido com quatro extintores de ajuda de moradores.

Nesse mesmo horário, só que em Joinville, houve uma tentativa de fogo a caminhão. O dono do veículo com a ajuda de populares conseguiu apagar o incêndio. Os suspeitos não foram vistos, apenas testemunhas ouviram barulho de motos deslocando do local.

Por volta de 01h de sábado, um carro que havia sido furtado foi incendiado em uma rua do bairro Monte Alegre, em Camboriú, e ficou completamente destruído. O veículo era do pedreiro Rubens Cardozo, 54 anos, que mal tinha registrado o furto na delegacia quando soube do fim do carro.

Terceira noite de ataques

Os dois ataques mais recentes daquela noite foram em Joinville, por volta de 23h de sexta-feira. As duas ações dos criminosos a ônibus foram no bairro Espinheiros, próximo ao Caic, e na rua Senador Rodrigo Logo, próximo à rua Uruguaiana.

No 20º ataque registrado, dois homens, em uma moto, teriam usado gasolina para incendiar os pneus do ônibus, e logo as chamas tomaram conta do veículo. Os bombeiros estiveram no local para conter as chamas. Segundo a PM, ninguém se feriu. Praticamente ao mesmo tempo, os bombeiros informaram que havia outra ocorrência, a de número 19 em SC. Até as 0h30min deste sábado, não havia informações sobre possíveis vítimas.

Com uma diferença de poucos minutos, o 18º atentado em SC foi registrado em Ciriciúma, quando um ônibus fretado foi incendiado com o uso de coquetel molotov. Na sexta-feira, o ataque foi por volta de 22h30min, entre o bairro Progresso e a Vila União. O ônibus da empresa Forquilhinha, que levava trabalhadores de uma empresa da região, foi completamente destruído depois que um coquetel Molotov foi jogado no interior do veículo.

A 17º ocorrência no Estado também foi em Joinville e aconteceu cerca de uma hora antes e resultou em um veículo da empresa Gidion queimado, também com o uso de coquetel molotov, quando o motorista passava na rua Vicente Leporace, no bairro Fátima.

A madrugada dos ataques, na sexta-feira, incluiu um ataque contra a base da Polícia Militar, em Canasvieiras,  por volta das 5h, que foi incendiada. De acordo com testemunhas, quatro rapazes teriam praticado o crime.

O posto da PM na Praia Brava também foi alvo de atentados. Não havia policiais na hora do ataque. A suspeita da polícia é de que tenha ocorrido na madrugada, já que o posto estava fechado na noite desta quinta-feira e na manhã desta sexta-feira.


Segunda noite de ataques

No Norte da Ilha de SC, bandidos esvaziaram um ônibus da empresa Canasvieiras, por volta de 23h45min de quinta-feira, antes de atear fogo no veículo, O motorista e o cobrador foram agredidos pelos criminosos e tiveram ferimentos no corpo. O caso foi na Rodovia João Gualberto Soares, na localidade do Canto do Lamim. O rapaz de 19 anos foi levado para o Hospital Celso Ramos em estado grave.


Veículo da Canasvieiras ficou
completamente destruído pelas chamas
Jessé Giotti/Agência RBS


Outro atentado na mesma região da cidade aconteceu na estrada Dário Manoel Cardoso, na praia dos Ingleses — onde um rapaz sofreu queimaduras de segundo grau.


Nos Ingleses, um homem ficou
queimado após o incêndio do ônibus
Foto: Cristiano Estrela/Agência RBS


Passava das 23h30min de quinta-feira quando dois ônibus foram atacados em Palhoça. Um deles era da APAE de Balneário Camboriú que aguardava adesivagem e teve os pneus queimados. O outro, um veículo de turismo, foi queimado próximo a garagem da empresa Jotur.

Na segunda noite de ataques, a delegacia de Camboriú foi atacada e o local isolado depois que uma granada caseira, feita com cano de PVC, foi arremessada contra o prédio. O objeto, que não chegou a explodir, foi encontrado em frente ao muro da delegacia. O fato ocorreu por volta das 23h30min de quinta.

Era por volta de 22h30min de quinta-feira quando o incêndio criminoso de um ônibus no bairro João Paulo colocou Florianópolis no cenário da retomada dos atentados terroristas em Santa Catarina. Dois rapazes fugiram em uma moto. Suspeitos de terem participado do crime foram detidos ainda durante a madrugada pela PM. Um deles tinha 23 anos e o outro era um menor, de 17 anos.


Veículo que seguia para o Centro
foi esvaziado antes de ser incendiado
Foto: Cristiano Estrela/Agência RBS


Por volta de 1h30min de quinta-feira, em Itajaí, uma viatura da Coordenadoria de Trânsito da prefeitura foi incendiado. O veículo estava no pátio da Secretaria Municipal de Segurança, na Rua Blumenau, quando alguém passou de carro e jogou um coquetel molotov.

 
Viatura da Codetran, de Itajaí
também foi consumida pelo fogo
Foto: Marcos Porto/Agência RBS


A primeira noite de ataques neste ano

Em Gaspar, um ônibus da empresa Rodovel foi incendiado no Bairro Bela Vista por volta de 23h de quarta-feira. Vinte minutos depois, no Bairro Figueira, outro veículo foi alvo dos criminosos.

Em Itajaí, um bar e mercearia localizado no Bairro Cordeiros, em Itajaí, também pode ter sido alvo. De acordo com testemunhas, garotos de bicicleta passaram pelo local por volta de 23h de quarta-feira, jogaram garrafas pet com gasolina e depois atearam fogo.

Os ataques, semelhantes aos de novembro de 2012, começaram por volta de 22h de quarta-feira, em Balneário Camboriú, com um ônibus da empresa Expressul como alvo, a exemplo do que ocorreu no ano passado. Dois homens armados renderam o motorista, na Rua Dom Henrique, e atearam fogo ao veículo. Os bandidos usavam máscaras do filme Pânico. Um suspeito foi baleado, mas fugiu. O outro foi preso.



Uma das barreiras foi montada
na Avenida Mauro Ramos
Foto: Cristiano Estrela/Agência RBS


Antes do início dos ataques, barreiras foram montadas em quatro pontos da Capital, na madrugada de sexta-feira. Os PMs realizaram, quatro barreiras na cidade, na ponte Pedro Ivo Campos, na Prainha, no bairro Agronômica e na Avenida Mauro Ramos. 


Prisões

Pelo menos 22 pessoas foram detidas pelas forças de segurança. No celular de um dos presos foi encontrada uma mensagem que autorizava os atentados.


Transporte público

Em uma reunião na sexta, Setuf (Sindicato das Empresas de Transporte Urbano de Passageiros da Grande Florianópolis) e Polícia Militar decidiram que, por medida de segurança, os ônibus devem circular normalmente só até às 19h30min. Depois deste horário, apenas algumas linhas devem cumprir seus itinerários com escolta policial. No sábado e no domingo, o esquema continua e os ônibus devem circular até às 21h. Ainda na sexta, a decisão causou protesto de passageiros.

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