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Tragédia em Santa Maria05/02/2013 | 19h30Atualizada em 05/02/2013 | 22h38

Sócio da boate Kiss, Kiko recebe alta de hospital em Cruz Alta

Empresário deixou hospital em Cruz Allta às 19h15min em carro discreto da polícia

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Sócio da boate Kiss, Kiko recebe alta de hospital em Cruz Alta Henrique Siqueira/Especial
Kiko (de cinza, próximo ao porta-malas do carro) deixou hospital em carro discreto da polícia Foto: Henrique Siqueira / Especial

Elissandro Spohr, conhecido como Kiko, um dos sócios da boate Kiss, deixou o Hospital Santa Lúcia, em Cruz Alta, às 19h15min. O empresário saiu algemado em um carro discreto da polícia, pelos fundos do hospital.

O veículo tinha os vidros escuros. Kiko foi encaminhado à delegacia, onde ficou por pouco minutos. Segundo a Polícia Civil e a Brigada Militar, ele seria encaminhado à Penitenciária Modulada de Ijuí, porém, a transferência foi confirmada para a Penitenciária Estadual de Santa Maria, onde chegou às 21h35min.

Às 18h30min, o médico do empresário, Paulo Vieceli, concedeu entrevista coletiva. Ele disse que a junta médica coordenada por ele, uma psicóloga e um psiquiatra entenderam que o melhor seria remover o empresário para um presídio fora da região de Santa Maria.

O motivo seria o abalo psicológico que o empresário poderia sofrer ao retornar à cidade que foi palco da tragédia, bem como possíveis represálias. Não ficar preso em Santa Maria, aliás, era um dos objetivos da defesa. O Ministério Público, no entanto, teria se manifestado contrário à exigência.

Vieceli também declarou que Kiko, apesar de estar muito abatido e ter recorrentes crises de choro, não precisa de atendimento psicológico permanente em hospital psiquiátrico.

— Por mais que ele esteja abatido, não precisa mais de cuidados médicos, pois está clinicamente curado das lesões no pulmão — revelou.

Mauro Hoffmann, o outro sócio da boate Kiss, permanece preso no Presídio Regional de Santa Maria.

Clique na imagem e confira o perfil das 238 vítimas

Como aconteceu

O incêndio na boate Kiss, no centro de Santa Maria, começou entre 2h e 3h da madrugada de domingo, quando a banda Gurizada Fandangueira, uma das atrações da noite, teria usado efeitos pirotécnicos durante a apresentação. O fogo teria iniciado na espuma do isolamento acústico, no teto da casa noturna.

Sem conseguir sair do estabelecimento, pelo menos 238 jovens morreram e outros 100 ficaram feridos. Sobreviventes dizem que seguranças pediram comanda para liberar a saída, e portas teriam sido bloqueadas por alguns minutos por funcionários.

A tragédia, que teve repercussão internacional, é considerada a maior da história do Rio Grande do Sul e o maior número de mortos nos últimos 50 anos no Brasil.

Em gráfico, entenda os eventos que originaram o fogo:

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A boate

Localizada na Rua Andradas, no centro da cidade de Santa Maria, a boate Kiss costumava sediar festas e shows para o público universitário da região. A casa noturna é distribuída em três ambientes - além da área principal, onde ficava o palco, tinha uma pista de dança e uma área vip. De acordo com a Polícia Civil, a danceteria estava com o plano de prevenção de incêndios vencido desde agosto de 2012.

Clique na imagem abaixo para ver o antes e o depois da danceteria:


A festa

Chamada de "Agromerados", a festa voltada para estudantes da Universidade Federal de Santa Maria (UFSM) começou às 23h de sábado. O evento era de acadêmicos dos cursos de Agronomia, Medicina Veterinária, Tecnologia de Alimentos, Zootecnia, Tecnologia em Agronegócio e Pedagogia.

Segundo informações do site da casa noturna, os ingressos custavam R$ 15 e as atrações eram as bandas "Gurizadas Fandangueira", "Pimenta e seus Comparsas", além dos DJs Bolinha, Sandro Cidade e Juliano Paim.

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