Convencido de que a Kiss recebeu alvará do Corpo de Bombeiros sem ter um Plano de Prevenção de Combate a Incêndio (PPCI), o delegado Sandro Meinerz quer saber: por que a boate onde 238 jovens morreram e dezenas ficaram feridos teve autorização para funcionar? Zero Hora apurou que o suposto plano de prevenção apresentado pelos donos da Kiss é, na verdade, um mero relatório eletrônico do Sistema Integrado de Gestão de Prevenção a Incêndio (Sigpi).
O coronel da reserva do Corpo de Bombeiros Daniel da Silva Adriano, que assinou o alvará, em 2009, afirmou que o plano existiria, é completo e teria sido assinado por um responsável técnico.
Para o delegado, as declarações do oficial estão em desacordo com documentos enviados pelos Bombeiros à Polícia Civil.
— Não tenho dúvida de que o alvará foi concedido a partir de uma documentação inadequada com informações genéricas — afirma o policial.
Sobre o fato de o oficial informar que o suposto PPCI continha a assinatura de um responsável técnico, o delegado disse:
— Vamos questioná-lo sobre isso. Ele terá de explicar por que concedeu o alvará sem ter o plano de prevenção. Não adianta ele dizer apenas que tinha e, de repente, esquecer coisas como o nome do engenheiro que teria feito.
Meinerz é taxativo em relação ao suposto plano de prevenção da Kiss.
— Esse documento não existe — garantiu.
Na noite de terça-feira, o criador do Sigpi concedeu entrevista coletiva em Santa Maria. Tenente-coronel da reserva, Floriovaldo Nunes, que implantou em 2005 o sistema, defendeu que o programa gera, a partir de informações dos proprietários do estabelecimento, uma lista de recomendações precisas sobre o que é preciso para se prevenir e combater incêndios.
— Ele é utilizado em todo o Estado. Tem agilizado o processo de concessão de alvará. Trocamos as pilhas de papéis por uma plataforma digital — disse.
Além das declarações do delegado Meinerz, que colocam procedimentos dos bombeiros no foco das investigações, o dia foi marcado por manifestações públicas do governador Tarso Genro e do prefeito Cezar Schirmer, que manifestaram divergências. Para o governador, a prefeitura devia ter visto que a boate não poderia funcionar. Já o prefeito se apoia na legislação para afirmar que fez tudo que estava ao seu alcance.
Clique na imagem abaixo para ver o antes e o depois da danceteria:
A festa
Chamada de "Agromerados", a festa voltada para estudantes da Universidade Federal de Santa Maria (UFSM) começou às 23h de sábado. O evento era de acadêmicos dos cursos de Agronomia, Medicina Veterinária, Tecnologia de Alimentos, Zootecnia, Tecnologia em Agronegócio e Pedagogia.
Segundo informações do site da casa noturna, os ingressos custavam R$ 15 e as atrações eram as bandas "Gurizada Fandangueira", "Pimenta e seus Comparsas", além dos DJs Bolinha, Sandro Cidade e Juliano Paim.








