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Vivência de tragédias02/02/2013 | 10h49Atualizada em 02/02/2013 | 12h01

Catástrofes em edifícios transformaram as regras da construção civil

Incêndios do Andraus e Joelma mudaram as regras na área

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Em uma das primeiras transmissões ao vivo da TV brasileira, o país assistiu, em choque, às tentativas suicidas de quem buscava escapar de um dos piores incêndios de São Paulo. Pessoas se jogavam pelas janelas do prédio, enquanto as chamas consumiam o Andraus.

Dois anos depois, em 1974, outro incêndio estarreceu o país no Edifício Joelma. Apenas após estas duas tragédias SP revisou suas normas de prevenção, sendo repetido pelos outros estados.

A tragédia do Andraus abriu as discussões sobre as normas de segurança e vistoria, mas foi somente depois do incêndio no Joelma que a legislação ficou mais rigorosa. De acordo com o Corpo de Bombeiros de SP, hoje menos de 10% das ocorrências são casos de incêndio.

As tragédias serviram de lição também para a reorganização dos bombeiros, que tiveram aumento do efetivo, equiparação salarial e o serviço 193.

Confira a entrevista com Samuel Belk, engenheiro que inspecionou o Joelma

Diário Catarinense — Como o tema segurança era tratado antes do caso Joelma? Naquela época, quando se construía um prédio de concreto armado, não se pensava que poderia pegar fogo. O Edifício Joelma foi o primeiro grande exemplo de que uma excelente estrutura de concreto não era totalmente segura. E isso, principalmente, pelo conteúdo. Para se ter uma ideia, a fiação dos aparelhos eletrônicos eram fixadas por pregos.

DC — Quando começou a se pensar em mudar a lei? A entrada do nosso grupo no Joelma já indicava que algo aconteceria. Assim que concluímos o laudo fomos chamados pela prefeitura para participar da revisão da legislação e, em seguida, começamos a trabalhar na atualização das normas de segurança em prevenção de incêndio, junto à ABNT.

DC — Esse conjunto de novas normas impediriam uma tragédia semelhante? Uma tragédia como aquela não se repetiria. Se fosse hoje, aquele mesmo incêndio não teria provocado tanta destruição. Os prédios estão mais seguros.

Clique na imagem e confira o perfil das 236 vítimas

Como aconteceu

O incêndio na boate Kiss, no centro de Santa Maria, começou entre 2h e 3h da madrugada de domingo, quando a banda Gurizada Fandangueira, uma das atrações da noite, teria usado efeitos pirotécnicos durante a apresentação. O fogo teria iniciado na espuma do isolamento acústico, no teto da casa noturna.

Sem conseguir sair do estabelecimento, pelo menos 236 jovens morreram e outros 100 ficaram feridos. Sobreviventes dizem que seguranças pediram comanda para liberar a saída, e portas teriam sido bloqueadas por alguns minutos por funcionários.

A tragédia, que teve repercussão internacional, é considerada a maior da história do Rio Grande do Sul e o maior número de mortos nos últimos 50 anos no Brasil.

Em gráfico, entenda os eventos que originaram o fogo:

A boate

Localizada na Rua Andradas, no centro da cidade de Santa Maria, a boate Kiss costumava sediar festas e shows para o público universitário da região. A casa noturna é distribuída em três ambientes - além da área principal, onde ficava o palco, tinha uma pista de dança e uma área vip. De acordo com a Polícia Civil, a danceteria estava com o plano de prevenção de incêndios vencido desde agosto de 2012.

A festa

Chamada de "Agromerados", a festa voltada para estudantes da Universidade Federal de Santa Maria (UFSM) começou às 23h de sábado. O evento era de acadêmicos dos cursos de Agronomia, Medicina Veterinária, Tecnologia de Alimentos, Zootecnia, Tecnologia em Agronegócio e Pedagogia.

Segundo informações do site da casa noturna, os ingressos custavam R$ 15 e as atrações eram as bandas "Gurizadas Fandangueira", "Pimenta e seus Comparsas", além dos DJs Bolinha, Sandro Cidade e Juliano Paim.

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