O discurso da deputada Marisa Formolo (PT) durante o Grande Expediente da Assembleia Legislativa que tratou da Campanha da Fraternidade deste ano revoltou o arcebispo metropolitano de Porto Alegre, dom Dadeus Grings. Na fala, na quarta-feira, Marisa, que foi a proponente da sessão, afirmou que a Igreja "precisa ter a coragem que a juventude tem de se renovar", criticou o papa Bento XVI e disse que a renúncia dele veio em boa hora.
— Acompanhei a conduta de dom Ratzinger quando impediu que a América Latina avançasse na teologia da libertação, quando impediu o nosso grande amigo Leonardo Boff, com quem trabalhei nas questões de direitos humanos, de se pronunciar novamente em algum lugar do mundo, quando impediu que as comunidades eclesiais de base tivessem a força de organização do povo para construir o reino de Deus — discursou.
Na tarde desta quinta-feira, a Arquidiocese de Porto Alegre emitiu uma moção de repúdio às declarações da parlamentar. Dom Dadeus, que esteve presente à sessão, afirmou que a deputada fez um discurso "fora de contexto" e que teria elevado a voz "para xingar a plenos pulmões o papa" em nome da Assembleia.
— Foi realmente muito triste. Todo mundo ficou pasmo. Ela vive em um mundo à parte, o da ideologia — criticou.
Minutos após a divulgação da nota, Marisa voltou à tribuna da Assembleia para esclarecer que expressou uma opinião pessoal. Em entrevista a ZH, comparou a situação à ditadura.
— Só na ditadura eu vivi momentos como esse, em que alguém me impedisse de expressar uma posição política. Eu sou católica, comprometida desde a infância com a luta dos cristãos que querem uma sociedade justa. Ele não tem o direito de criar um estado de ditadura dentro da Igreja — afirmou.













