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Opinião29/01/2013 | 04h01

Ricardo Chaves: Cenas frenéticas ou os "abutres" do bem

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Ricardo Chaves: Cenas frenéticas ou os "abutres" do bem Germano Rorato/Especial
Fotografia de Germano Rorato, que registra a movimentação em frente à boate Kiss, estampou a capa do jornal The New York Times Foto: Germano Rorato / Especial
Não foi a primeira vez que um fotógrafo da Agência RBS fez a foto de primeira página do The New York Times, o mais influente jornal do planeta. Para que isso ocorra é preciso que um fato, acontecido em nossa principal área de atuação, tenha uma dimensão e interesse mundiais e que estejamos, como sempre, suficientemente alertas. Em agosto de 2001, uma imagem feita pelo Editor de Fotografia de Zero Hora, Júlio Cordeiro, e distribuída pela Agência Reuters, mostrava o balão do milionário americano Steve Fosset irremediavelmente no solo de Aceguá denunciando mais uma tentativa frustrada do aventureiro solitário que pretendia dar a volta ao mundo. A foto foi capa do NYT, ZH, e diversos outros jornais das mais diferentes nacionalidades. Ontem, a foto de Germano Rorato sobre a tragédia ocorrida em Santa Maria também ilustrou a capa do jornalão americano e de muitos outros, mundo afora.

A cena, publicada na contracapa de ZH na segunda-feira, diz muito do horror no momento em que ele está acontecendo, e também revela algo sobre a nossa condição de repórteres fotográficos. Caminhões de bombeiros, gente correndo e uma vítima sendo socorrida, carregada nos braços. Ela lembra outras ocasiões em que as pessoas fogem do pavor e o fotógrafo, na contramão do que seria o "bom senso", corre na direção do fato. Era o que fazia Nick Ut naquela estrada do Vietnã quando encontrou a menina vindo, queimada por napalm. Nem sempre essa atitude de confronto com a realidade, fundamental para quem quer contar a história usando imagens, acaba bem ou é compreendida pelos outros. Pouco importa. Imagens não mudam nada. Nós, fotógrafos, acreditamos apenas que talvez, diante dos nossos eloquentes testemunhos, as pessoas venham a tomar as atitudes que esperamos. Agora que todos se tornaram fotógrafos, com seus celulares e suas pequenas câmeras digitais, pode ser que seja mais fácil entender o que estou tentando dizer.



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A tragédia

O incêndio na boate Kiss, no centro de Santa Maria, começou entre 2h e 3h da madrugada de domingo, quando a banda Gurizada Fandangueira, uma das atrações da noite, teria usado efeitos pirotécnicos durante a apresentação. O fogo teria iniciado na espuma do isolamento acústico, no teto da casa noturna.

Sem conseguir sair do estabelecimento, mais de 200 jovens morreram e outros 100 ficaram feridos. Sobreviventes dizem que seguranças pediram comanda para liberar a saída, e portas teriam sido bloqueadas por alguns minutos por funcionários.

 A tragédia, que teve repercussão internacional, é considera a maior da história do Rio Grande do Sul e o maior número de mortos nos últimos 50 anos no Brasil.

Veja onde aconteceu

 
Imagem: Arte ZH

A boate

Localizada na Rua Andradas, no centro da cidade da Região Central, a boate Kiss costumava sediar festas e shows para o público universitário da região. A casa noturna é distribuída em três ambientes - além da área principal, onde ficava o palco, tinha uma pista de dança e uma área vip. De acordo com o comando da Brigada Militar, a danceteria estava com o plano de prevenção de incêndios vencido desde agosto de 2012. 

Clique na imagem abaixo para ver a boate antes e depois do incêndio

A festa

Chamada de "Agromerados", a festa voltada para estudantes da Universidade Federal de Santa Maria (UFSM) começou às 23h de sábado. O evento era de acadêmicos dos cursos de Agronomia, Medicina Veterinária, Tecnologia de Alimentos, Zootecnia, Tecnologia em Agronegócio e Pedagogia. Segundo informações do site da casa noturna, os ingressos custavam R$ 15 e as atrações eram as bandas "Gurizadas Fandangueira", "Pimenta e seus Comparsas", além dos DJs Bolinha, Sandro Cidade e Juliano Paim.




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