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Dia seguinte15/01/2013 | 15h42

'Quando vi, o busão arriou (tombou)', diz nordestino sobre acidente que feriu 27 em Campestre da Serra

Nesta terça-feira, oito pessoas seguem internadas em hospital de São Marcos e uma em Caxias do Sul. Acidente ocorreu na tarde de segunda.

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'Quando vi, o busão arriou (tombou)', diz nordestino sobre acidente que feriu 27 em Campestre da Serra Roni Rigon, Agência RBS/
Passos (esquerda) e Silva se recuperam em hospital em São Marcos Foto: Roni Rigon, Agência RBS
— Estava todo mundo alegre na descida. No que fechamos a boca, o busão (ônibus) perdeu o freio. Quando vi, o busão arriou (tombou). Eu estava no lado esquerdo e o busão caiu para a direita. Na pancada, senti uma dor quente. Pensei: "Meus Deus do céu, será que trincou algum osso?". Se tivesse capotado, "tinha morrido tudo nós".

Esta é a lembrança de João Filho Fernandes da Silva, 38 anos, ferido no ônibus que tombou no Km 92 da BR-116, segunda-feira, em Campestre da Serra. De 48 passageiros e dois motoristas, 27 ficaram feridos. Nesta terça, oito seguem internados no Hospital São João Bosco, em São Marcos, e um no Pompéia, em Caxias.

Os relatos dos sobreviventes dão amostra da pobreza e desesperança que trouxe o grupo ao Sul. Silva e a família vivem em uma casinha feita de taipa em São Francisco, no Maranhão. O objetivo dele é construir um lar de alvenaria. Realizar passa pelo desafio de cruzar o Brasil para ganhar dinheiro. Sobre a terra de onde veio, conta o que não é novidade: há pouco emprego e, quando se consegue, o salário é baixo.

Antes de viajar, Silva deixou tudo ajeitado para a mulher, Ana Perpétua, 39, e os filhos Jeanderson, oito, Jandraílson, sete, Maria da Cruz, 10, e Levi, dois. São "três meninos e uma mocinha", como ele diz. O homem limpou toda a horta onde planta o que leva à mesa.

— Deixei os pés de arroz assim, ó — diz, mostrando a altura equivalente a um palmo. — Na sexta deu uma chuvinha, e o arroz precisa — completa Silva, que também planta milho e fava.

Outro que veio em busca de ganhar dinheiro é Emerson Francisco dos Passos, 22. Ele trouxe de Amarante, no Piauí, uma mala com poucas peças de roupa e muitos desejos. Passos vive na casa do sogro com a mulher, Franciane, 25, e os filhos Henrique, dois, e Eloisa, um mês. O homem veio com a intenção de conseguir dinheiro para construir uma casa. Mesmo sem saber quanto receberia, aceitou o convite para viajar quase 4 mil quilômetros para trabalhar com soldador.

Na manhã desta terça, no hospital São João Bosco, o rapaz ainda não sabia sequer onde atuaria: talvez na construção de uma ponte, talvez na montagem de um túnel. Onde ficaria? Também sabia apenas que haveria alojamento, mas desconhecia o endereço, provavelmente na região metropolitana de Porto Alegre.

— Um cabra amigo meu perguntou se eu queria vir trabalhar, e eu disse que sim. Viajamos no outro dia (o dia seguinte, sexta-feira). Conheci o pessoal no busão (ônibus) mesmo — conta Passos, que recebeu pontos no joelho e orelha direitos e escoriações na mão direita.

Leia a matéria completa no Pioneiro desta quarta-feira.

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