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Ninguém liga para isso?24/01/2013 | 08h37Atualizada em 24/01/2013 | 09h13

Diretor do Presídio Regional de Santa Maria admite que revista é falha

Trabalhador flagra apenados falando ao celular durante banho de sol em presídio de Santa Maria

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Diretor do Presídio Regional de Santa Maria admite que revista é falha Não se aplica/Diário de Santa Maria
Foto: Não se aplica / Diário de Santa Maria
Patric Chagas, especial

A lei que proíbe o uso de telefones celulares por policiais e funcionários no interior de instituições penais parece não valer para os detentos do Presídio Regional de Santa Maria. Basta chegar o horário destinado ao banho de sol para que os apenados comecem o que pessoas que trabalham no local chamam, ironicamente, de "a bolsa de valores dos presos".

Cansado de presenciar irregularidades, uma das pessoas que conhece de perto a rotina dos detentos resolveu fotografar os delitos. Os registros feitos neste mês e mostram claramente os detentos fazendo uso de celulares, sem se preocupar em serem vistos por agentes da Superintendência de Serviços Penitenciários (Susepe), responsáveis pela segurança interna do presídio. Duas fotos mostram um mesmo homem usando dois aparelhos diferentes no mesmo dia.

_ Cansei de presenciar este tipo de situação e nada ser feito a respeito _ afirma o trabalhador.

Ele afirma que, além dos telefones, estoques (facas artesanais) e até facões são vistos nas mãos dos detentos. Para ele, há apenas uma explicação para a situação que seria frequente: a conivência dos agentes.

_ Já informei a agentes que um preso estava com celular, e a resposta foi que nada poderia ser feito. Em relação às drogas, a situação é pior. Lá, o consumo de maconha é liberado. Segundo os agentes, isso mantém os presos calmos _ revelou a fonte, informando ainda que a Brigada Militar teria conhecimento destas denúncias.

Segundo o administrador-geral substituto do Presídio Regional, Celso Scotti, os detentos ficam sozinhos na hora do banho de sol _ duas horas a cada turno _ porque os agentes estão nas celas fazendo a revista diária.

_ Não dispomos de gente suficiente para fazer as duas coisas ao mesmo tempo. Quando os agentes estão verificando as celas, os presos ficam assistidos pelos policiais militares (responsáveis pela guarda externa). Cerca de 80 detentos ficam juntos no pátio e isso dificulta a identificação dessas irregularidades pelos policiais _ argumenta o administrador.

Conforme Scotti, as denúncias de uso de celular geralmente vêm dos policiais. Quando isso ocorre, o policial é convidado a entrar no presídio e identificar o preso. A partir daí, o detento passa por revista e tem sua cela verificada. Quando há denúncias pontuais de irregularidades, o procedimento padrão é a identificação e responsabilização do preso. No entanto, quando os casos se tornam frequentes, a Susepe consegue articular, junto à Brigada Militar e à Justiça, revistas gerais na cadeia.

Diretor admite que a revista é falha
Scotti admite que há falhas no sistema. Segundo ele, no momento em que é descoberta uma brecha na segurança, a Susepe tenta estancá-la:

_ Se eu achasse a fórmula, isso não ocorreria. Todos os que entram no presídio passam por revista. Quando há alguma suspeita, ela é feita de forma minuciosa. Para qualquer abordagem aos presos, usamos um procedimento padrão. Qualquer ação mal pensada pode gerar um tumulto e colocar em risco a segurança de todos.

O Diário tentou contato com a Associação dos Monitores e Agentes Penitenciários do Rio Grande do Sul (Amapergs) ontem à tarde, sem sucesso.

'As armas não aparecem nas fotos'
Trabalhador do Presídio Regional

Um trabalhador do Presídio Regional que fez imagens dos delitos dá detalhes do que viu, mas pede segredo sobre sua identidade.

Diário de Santa Maria _ Há quanto tempo o senhor testemunha o uso de celulares por detentos?
Trabalhador _ Desde que comecei a trabalhar lá. Eles também expõem facas e facões. As armas ficam escondidas e não aparecem nas fotos.

Diário _ Como o senhor acha que os aparelhos entram na cadeia?
Trabalhador _ Acredito que os celulares não são flagrados na revista aos visitantes. Acho mais difícil alguém jogar um celular lá para dentro, porque as paredes dos pavilhões têm cerca de 5 metros de altura.

Diário _ Você já informou o problema aos agentes?
Trabalhador _ Sim. Mas, uma vez, um deles chegou a dizer que se eu fizesse alguma coisa, seria uma prova de que eles (agentes) não estavam fazendo a segurança corretamente. Isso apontaria um problema maior.


Repercussões
"A Brigada Militar faz a guarda externa do presídio e a patrulha das redondezas, além de auxiliar em revistas. Nossos policiais são orientados a, caso testemunharem irregularidades, tomarem providências: avisar a Susepe, apreender o objeto e registrar ocorrência na Polícia Civil. Neste mês, tivemos uma notificação nesse sentido."
Major Paulo Antônio Flores Oliveira, comandante interino
do 1º Regimento de Polícia Montada (RPMon)

"Isso comprova algo que já observávamos: os presos, a partir de celulares, interagem com o mundo externo, e isso influencia na criminalidade aqui fora. A Susepe faz o que pode, mas polícia trabalha enxugando gelo."
Marcelo Arigony, delegado regional de Polícia Civil

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