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Luto entre amigos28/01/2013 | 17h13

"Chegava um caminhão atrás do outro para remoção de corpos", conta empresário de Farroupilha

Ele estava em Santa Maria com Ricardo Custódio, que morreu, e Thiago Romagna, hospitalizado, mas não foi para a festa na Kiss

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"Chegava um caminhão atrás do outro para remoção de corpos", conta empresário de Farroupilha Maurício Concatto, especial/
Bruno passou a tarde de domingo no ginásio torcendo para o corpo do amigo não chegar Foto: Maurício Concatto, especial

O empresário Bruno Tusset, 26 anos, estava na turma de Farroupilha que viajou a Santa Maria no fim de semana. No entanto, ele decidiu não ir para a boate Kiss na noite de sábado junto com Ricardo Custódio, que morreu no incêndio, Thiago Boniati Romagna, que está hospitalizado, e Anderson Onzi, que conseguiu sair.

Bruno conta que na sexta-feira, os amigos fizeram uma trilha e, à noite, a previsão era estar na Kiss. Mas como estava cansado, decidiu não ir para a festa.

— Eu não conhecia Santa Maria, foi a primeira vez que fui para lá. Só pensávamos em nos divertir — conta.

O rapaz relata que Ricardo, Thiago e Anderson foram para festa e, por volta das 3h, Anderson telefonou avisando sobre a tragédia:

— Corremos para lá e o que vimos foi um horror. Muitos bombeiros, polícia e pessoas sendo retiradas o tempo todo de dentro da boate. E o pior, chegava um caminhão atrás do outro para a remoção de corpos.

Bruno soube que Anderson estava no camarote e Ricardo e Thiago haviam ido dar uma volta dentro da Kiss quando a confusão começou. O primeiro amigo conseguiu sair rapidamente.

—  O Anderson ainda entrou na boate de volta e conseguiu localizar o Thiago. Ele chamou atendimento médico e logo o levaram para o hospital. Como o Thiago estava medicado, então fomos de hospital em hospital em busca de notícias do Ricardo. As listas estavam muito confusas — lembra.

O empresário acrescenta que ele e Anderson ficaram a tarde de domingo inteira no ginásio para onde estavam sendo levados os corpos, torcendo para que o do amigo não chegasse.

— Infelizmente, o que não queríamos aconteceu.


A tragédia

O incêndio na boate Kiss, no centro de Santa Maria, começou entre 2h e 3h da madrugada de domingo, quando a banda Gurizada Fandangueira, uma das atrações da noite, teria usado efeitos pirotécnicos durante a apresentação. O fogo teria iniciado na espuma do isolamento acústico, no teto da casa noturna.

Sem conseguir sair do estabelcimento, mais de 200 jovens morreram e outros 100 ficaram feridos. Sobreviventes dizem que seguranças pediram comanda para liberar a saída, e portas teriam sido bloqueadas por alguns minutos por funcionários.

 A tragédia, que teve repercussão internacional, é considera a maior da história do Rio Grande do Sul e o maior número de mortos nos útimos 50 anos no Brasil.

Veja onde aconteceu

 
Imagem: Arte ZH

A boate

Localizada na Rua Andradas, no centro da cidade da Região Central, a boate Kiss costumava sediar festas e shows para o público universitário da região. A casa noturna é distribuída em três ambientes - além da área principal, onde ficava o palco, tinha uma pista de dança e uma área vip. De acordo com o comando da Brigada Militar, a danceteria estava com o plano de prevenção de incêndios vencido desde agosto de 2012. 

Clique na imagem abaixo para ver a boate antes e depois do incêndio

A festa

Chamada de "Agromerados", a festa voltada para estudantes da Universidade Federal de Santa Maria (UFSM) começou às 23h de sábado. O evento era de acadêmicos dos cursos de Agronomia, Medicina Veterinária, Tecnologia de Alimentos, Zootecnia, Tecnologia em Agronegócio e Pedagogia. Segundo informações do site da casa noturna, os ingressos custavam R$ 15 e as atrações eram as bandas "Gurizadas Fandangueira", "Pimenta e seus Comparsas", além dos DJs Bolinha, Sandro Cidade e Juliano Paim.




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